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poeta, ensaísta e acadêmica canadense-islandesa

Anne Carson

Anne Carson
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Nome completo
Anne Patricia Carson
Nascimento
21 de junho de 1950Toronto, Ontário, Canadá
Nacionalidade
canadense
Cidadania
Canadá e Islândia
Cônjuge
Robert Currie
Educação
bacharelado, mestrado e doutorado em estudos clássicos
Alma mater
Universidade de Toronto
Ocupação
poeta ensaísta tradutora especialista em estudos clássicos professora
Período de atividade
1979–presente
Principais trabalhos
Eros the Bittersweet, 1986Autobiography of Red, 1998Men in the Off Hours, 2000The Beauty of the Husband, 2001Red Doc>, 2013
Gênero literário
Poesia, ensaio e tradução

Anne Patricia Carson (Toronto, 21 de junho de 1950) é uma poeta, ensaísta e tradutora canadense, com formação em estudos clássicos na Universidade de Toronto e carreira docente em universidades do Canadá e dos Estados Unidos. Desde 1979, lecionou literatura comparada, estudos clássicos e escrita criativa em instituições como a Universidade McGill, a Universidade de Michigan, a Universidade de Nova Iorque e a Universidade de Princeton. Publicou mais de vinte livros de ensaios, poemas e traduções de tragédias gregas antigas.

Recebeu as bolsas Guggenheim e MacArthur, o Prêmio Lannan, duas edições do Griffin Poetry Prize, o T. S. Eliot Prize, o Prêmio Princesa das Astúrias de Letras, o Prêmio do Governador-Geral de poesia em língua inglesa e o Prêmio PEN/Nabokov. Em 2005, tornou-se membro da Ordem do Canadá por seu trabalho na literatura canadense. Foi laureada com o Prêmio Nobel de Literatura de 2026.

Biografia

Infância e formação

Nascida em Toronto em 21 de junho de 1950, Carson cresceu em pequenas cidades canadenses, acompanhando as mudanças da família por causa do trabalho do pai, que era bancário. No ensino médio, uma professora de latim apresentou-lhe a língua e a literatura da Grécia Antiga e passou a lhe dar aulas particulares.

Carson ingressou no St. Michael's College, da Universidade de Toronto, mas interrompeu os estudos ao fim do primeiro ano e novamente ao fim do segundo. Insatisfeita com as exigências do currículo, sobretudo com uma disciplina obrigatória sobre John Milton, trabalhou por algum tempo com artes gráficas. Os estudos clássicos compreendem as línguas e literaturas da Grécia e da Roma antigas. Ao retornar à universidade, concluiu o bacharelado em 1974, o mestrado em estudos clássicos em 1975 e o doutorado na mesma área em 1981. Também estudou métrica grega e crítica textual durante um ano na Universidade de St. Andrews.

Carreira acadêmica

Antes de concluir o doutorado, Carson começou a lecionar estudos clássicos na Universidade de Calgary, em 1979, e ingressou na Universidade de Princeton no ano seguinte, onde trabalhou como instrutora e depois como professora assistente, com possibilidade de efetivação. Entre 1986 e 1987, deu aulas no 92nd Street Y, em Nova Iorque, com uma bolsa de residência da Fundação Rockefeller. Como não obteve estabilidade no cargo em Princeton, deixou a universidade em 1987 e lecionou línguas e literatura clássicas na Universidade Emory, em Atlanta, durante um ano. Mudou-se depois para Montreal, onde assumiu a direção da pós-graduação em estudos clássicos da Universidade McGill.

No fim da década de 1990, a McGill cancelou os cursos de pós-graduação em grego antigo, encerrou o Departamento de Estudos Clássicos e transferiu as disciplinas restantes para o Departamento de História. Carson permaneceu como professora associada, mas passou a dedicar metade de cada ano a aulas como convidada em outras instituições. Ocupou a cátedra visitante Norman Freehling na Universidade de Michigan entre 1999 e 2000, lecionou na Universidade da Califórnia em Berkeley na primavera de 2000 e no California College of Arts and Crafts, em Oakland, na primavera de 2001. Em 2000, foi nomeada para a cátedra John MacNaughton de Estudos Clássicos da McGill.

Carson mudou-se para Ann Arbor em 2003 e lecionou estudos clássicos, literatura comparada e língua e literatura inglesas na Universidade de Michigan até 2009. Em 2004, teve cerca de trinta indicações à cátedra de poesia de Oxford, atrás de Christopher Ricks no número de indicações. Seu nome voltou a ser cogitado para o cargo, cujo mandato era de quatro anos, em 2009.

Em 2009, ingressou no programa de escrita criativa da Universidade de Nova Iorque como poeta residente e professora visitante. Com o marido e colaborador Robert Currie, passou a ministrar o curso anual "Egocircus", dedicado à colaboração artística. Foi professora visitante Andrew D. White na Universidade Cornell entre 2010 e 2016, e poeta visitante Mohr no programa de escrita criativa da Universidade Stanford em 2013. Em 2014, ingressou no Bard College, em Annandale-on-Hudson, no estado americano de Nova Iorque, como escritora residente e professora visitante, com aulas de estudos clássicos e escrita. Ao falar dos cargos que assumiu nessa etapa da carreira, usou a expressão "visitante de qualquer coisa", e chamou as décadas em que ensinou grego antigo de "uma alegria completa".

Homenagens e distinções

A Royal Society of Literature elegeu Carson para seu programa de escritores internacionais em 2022. Em maio de 2023, a Classical Association anunciou sua nomeação como presidente honorária para o período de 2023 a 2024. Recebeu também o Prêmio Vigdís, concedido por trabalhos dedicados às línguas e culturas do mundo.

O Nobel de Literatura de 2026 premiou sua escrita pela audácia e inventividade, pelo diálogo lúdico com a literatura clássica e pela criação de novas formas literárias que retratam o presente.

Vida pessoal

As notas sobre Carson em suas publicações costumam se limitar à frase "Anne Carson nasceu no Canadá e ensina grego antigo para viver", e a escritora evita falar de sua vida privada e desencoraja leituras autobiográficas de seus textos. Para o crítico Roy Scranton, sua escrita tem um caráter pessoal, embora não seja poesia confessional. Carson afirmou que usa a própria vida de maneira democrática, como um conjunto de fatos entre os outros que existem no mundo.

Durante seu primeiro casamento, que durou oito anos e terminou em 1980, Carson usou o sobrenome Giacomelli. A crítica Daphne Merkin relacionou a experiência desse casamento e de seu fim a "Kinds of Water", publicado em Plainwater, e a The Beauty of the Husband. Carson confirmou que o primeiro marido levou seus cadernos quando se divorciaram, como acontece com a protagonista de The Beauty of the Husband, mas os devolveu depois.

O adoecimento de seu pai, Robert, que tinha doença de Alzheimer, é um dos temas de "The Glass Essay", publicado em Glass, Irony, and God, "Very Narrow", em Plainwater, e "Father's Old Blue Cardigan", em Men in the Off Hours. Esses textos acompanham a perda de suas capacidades físicas e mentais.

Sua mãe, Margaret, nascida em 1913, morreu em 1997, quando Carson escrevia Men in the Off Hours. A escritora encerrou a coletânea com "Appendix to Ordinary Time", texto em prosa que usa frases riscadas dos diários e manuscritos de Virginia Woolf para compor um epitáfio para a mãe. Roy Scranton leu Red Doc> como uma segunda elegia pela morte de Margaret. Carson chamou a mãe de amor de sua vida.

Seu irmão, Michael, foi preso por tráfico de drogas em 1978 e fugiu do Canadá enquanto estava em liberdade sob fiança. Carson não voltou a vê-lo. Escreveu sobre seu desaparecimento em "Water Margins: An Essay on Swimming by My Brother", publicado em Plainwater, em um texto próximo das memórias. Em 2000, Michael telefonou para ela e os dois combinaram um encontro em Copenhague, onde ele morava, mas ele morreu antes que pudessem se reencontrar. Carson compôs um epitáfio para o irmão em 2000 e o publicou em 2010 com o título Nox, livro que Roy Scranton apontou como seu trabalho mais diretamente pessoal.

Carson é casada com o artista Robert Currie, que conheceu em Ann Arbor quando lecionava na Universidade de Michigan. Ao falar do marido, usa a expressão "a pessoa que é meu colaborador e marido". Os dois trabalharam juntos na concepção gráfica dos livros e nas apresentações de Nox e Antigonick. Carson também chama Currie de "o Randomizador" durante o processo de criação.

Carson e Currie receberam a cidadania islandesa em 19 de abril de 2022. Em agosto de 2024, a escritora tornou público seu diagnóstico de doença de Parkinson no texto "Gloves on!", publicado na London Review of Books.

Prêmios e bolsas

Prêmios recebidos

  • 1984: Prêmio Betty Colladay, da Quarterly Review of Literature, por Canicula di Anna.
  • 1996: Prêmio Lannan de Poesia.
  • 1996: Prêmio de Poesia A. M. Klein, da QSPELL, por Glass, Irony and God.
  • 1997: Pushcart Prize, por "Jaget".
  • 1998: Prêmio de Poesia A. M. Klein, da QSPELL, por Autobiography of Red.
  • 2001: Griffin Poetry Prize, categoria canadense, por Men in the Off Hours.
  • 2001: T. S. Eliot Prize, por The Beauty of the Husband.
  • 2001: Prêmio de Poesia do Los Angeles Times, por The Beauty of the Husband.
  • 2001: Prêmio de Poesia A. M. Klein, da QWF, por The Beauty of the Husband.
  • 2010: PEN Award de Tradução de Poesia, por An Oresteia.
  • 2012: Prêmio Criticos, ou London Hellenic Prize, por Antigonick.
  • 2014: Griffin Poetry Prize, categoria canadense, por Red Doc>.
  • 2016: Grande Prêmio Literário Internacional do Blue Metropolis, pelo conjunto da obra.
  • 2019: Prêmio Internacional de Poesia Manuel Acuña.
  • 2020: Prêmio Princesa das Astúrias de Letras.
  • 2020: Prêmio do Governador-Geral de poesia em língua inglesa, por Norma Jeane Baker of Troy.
  • 2021: Prêmio PEN/Nabokov, pelo conjunto da obra na literatura internacional.
  • 2025: Prêmio Hadada, da The Paris Review, pelo conjunto da obra.
  • 2025: Prêmio Literário Internacional Zbigniew Herbert.
  • 2026: Prêmio Nobel de Literatura.

Indicações

  • 1993: Prêmio de Poesia A. M. Klein, da QSPELL, finalista por Short Talks.
  • 1994: Journey Prize, finalista por "Water Margins".
  • 1998: Forward Prize, finalista por Glass and God.
  • 1998: National Book Critics Circle Award de Poesia, finalista por Autobiography of Red.
  • 1999: T. S. Eliot Prize, finalista por Autobiography of Red.
  • 2000: T. S. Eliot Prize, finalista por Men in the Off Hours.
  • 2000: National Book Critics Circle Award de Poesia, finalista por Men in the Off Hours.
  • 2001: Prêmio do Governador-Geral de Literatura, categoria Poesia, finalista por Men in the Off Hours.
  • 2002: Lenore Marshall Poetry Prize, finalista por The Beauty of the Husband.
  • 2010: National Book Critics Circle Award de Poesia, finalista por Nox.
  • 2013: T. S. Eliot Prize, finalista por Red Doc>.
  • 2013: The Kitschies, prêmio Red Tentacle de melhor romance, finalista por Red Doc>.
  • 2014: Folio Prize, finalista por Red Doc>.
  • 2018: Prêmio de Literatura da Nova Academia, lista inicial de candidatos.
  • 2022: Prêmio do Governador-Geral de Literatura, categoria Poesia, finalista por H of H Playbook.

Bolsas

  • 1997: Bolsa de residência no centro Bellagio da Fundação Rockefeller.
  • 1998: Bolsa Guggenheim de Poesia.
  • 2000: Bolsa MacArthur.
  • 2007: Bolsa Anna-Maria Kellen, da Academia Americana em Berlim.
  • 2011: Bolsa Muriel Spark, da Creative Scotland e de Cove Park.
  • 2018: Bolsa Inga Maren Otto, do Watermill Center.

Distinções acadêmicas

Outras distinções

Obras selecionadas

Escrita própria

  • Eros the Bittersweet, 1986.
  • Short Talks, 1992.
  • Glass, Irony, and God, 1995, contém "The Glass Essay".
  • Plainwater, 1995.
  • Autobiography of Red, 1998.
  • Economy of the Unlost, 1999.
  • Men in the Off Hours, 2000.
  • The Beauty of the Husband, 2001.
  • Decreation, 2005.
  • Nox, 2010, contém uma tradução do Poema 101 de Catulo.
  • Antigonick, 2012, versão de Antígona, de Sófocles.
  • Red Doc>, 2013, continuação de Autobiography of Red.
  • Nay Rather, 2013.
  • The Albertine Workout, 2014.
  • Float, 2016.
  • Norma Jeane Baker of Troy, 2019, versão de Helena, de Eurípides.
  • The Trojan Women: A Comic, 2021, versão de As Troianas, de Eurípides.
  • H of H Playbook, 2021, sobre Héracles, de Eurípides.
  • Wrong Norma, 2024.

Traduções

  • Electra, 2001, tradução de Electra, de Sófocles.
  • If Not, Winter, 2002, poesia de Safo.
  • Grief Lessons, 2006, traduções de Héracles, Hécuba, Hipólito e Alceste, de Eurípides.
  • An Oresteia, 2009, traduções de Agamêmnon, de Ésquilo, Electra, de Sófocles, e Orestes, de Eurípides.
  • Iphigenia Among the Taurians, 2014, tradução de Ifigênia em Táuris, de Eurípides.
  • Antigone, 2015, tradução de Antígona, de Sófocles.
  • Bakkhai, 2015, tradução de As Bacantes, de Eurípides.

Edições em português

Brasil

  • Autobiografia do vermelho: Um romance em versos, Editora 34, 2021, tradução de Ismar Tirelli Neto.
  • Eros, o doce-amargo: Um ensaio, Bazar do Tempo, 2022, tradução de Julia Raiz.
  • Falas curtas, Relicário, 2022, tradução de Laura Erber e Sergio Flaksman.
  • Sobre aquilo em que eu mais penso: Ensaios, Editora 34, 2023, tradução de Sofia Nestrovski.
  • A beleza do marido: Um ensaio ficcional em 29 tangos, Bazar do Tempo, 2024, tradução de Julia Raiz e Emanuela Siqueira.

Portugal

  • Autobiografia do Vermelho, não edições, 2017, tradução de João Concha e Ricardo Marques.
  • A Beleza do Marido, não edições, 2019, tradução de Tatiana Faia.
  • Eros, o Amargo e Doce, Edições 70, 2024, tradução de Tatiana Faia.

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Texto da Wikipédia, CC BY-SA 4.0 · Artigo de origem