Macmillan Publishers, chamada Pan Macmillan no Reino Unido e Macmillan Publishers nos Estados Unidos, é uma editora britânica tradicionalmente incluída entre as "Cinco Grandes" editoras de língua inglesa, ao lado da Penguin Random House, Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster.
Fundada em Londres em 1843 pelos irmãos escoceses Daniel e Alexander Macmillan, a empresa logo se firmou no mercado editorial britânico. Publicou duas obras conhecidas da literatura infantil da era vitoriana, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, em 1865, e O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, em 1894.
O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Harold Macmillan, neto do cofundador Daniel, tornou-se presidente do conselho da empresa depois de deixar a política em 1964 e passou o cargo ao filho Maurice Macmillan em 1974.
Desde 1999, Pan Macmillan e Macmillan Publishers são subsidiárias integralmente controladas pela Holtzbrinck Publishing Group, com escritórios em 41 países e operações em mais de 30 outros.
História


A Macmillan foi fundada em Londres por Daniel e Alexander Macmillan, dois irmãos da Ilha de Arran, na Escócia. Daniel trabalhou por algum tempo como assistente do livreiro Elijah Johnson em Cambridge, mas entrou para a firma Messrs Seeley, em Londres, em 1837. Em 1843, abriu um negócio em Aldersgate Street e, no mesmo ano, os dois irmãos compraram o negócio de Thomas Newby em Cambridge.
Uma filial foi aberta em 1858 na Henrietta Street, em Londres, o que ampliou bastante os negócios. O imóvel deu lugar mais tarde a instalações maiores na Bedford Street e, em 1897, foram inaugurados os prédios da St Martin's Lane. A essa altura, a empresa já havia sido transformada em sociedade de responsabilidade limitada. O presidente do conselho era Frederick Macmillan, um dos filhos de Daniel, que recebeu o título de cavaleiro em 1909.
Daniel cuidava sobretudo dos negócios, enquanto Alexander formou o catálogo literário. Entre os autores publicados estavam Charles Kingsley em 1855, Thomas Hughes em 1859, Francis Turner Palgrave em 1861, Christina Rossetti em 1862, Matthew Arnold em 1865 e Lewis Carroll em 1865. Carroll conheceu Alexander pela primeira vez em Londres em 19 de outubro de 1863. Alfred Tennyson entrou para o catálogo em 1884, Thomas Hardy em 1886 e Rudyard Kipling em 1890.
Outros autores publicados pela Macmillan foram W. B. Yeats, Rabindranath Tagore, Nirad C. Chaudhuri, Seán O'Casey, John Maynard Keynes, Charles Morgan, Hugh Walpole, Margaret Mitchell, C. P. Snow, Rumer Godden e Ram Sharan Sharma.
A empresa também criou títulos como a revista Nature, em 1869, o Grove Dictionary of Music and Musicians, em 1877, e o Dictionary of Political Economy, de Robert Harry Inglis Palgrave, publicado entre 1894 e 1899.
George Edward Brett abriu o primeiro escritório da Macmillan nos Estados Unidos em 1869. Em 1896, a Macmillan vendeu suas operações americanas à família Brett, George Platt Brett Sr. e George Platt Brett Jr., o que deu origem a uma editora americana chamada Macmillan Publishing, também conhecida como The Macmillan Company e, mais tarde, Macmillan Inc. ou Macmillan US. Mesmo depois da separação entre a empresa americana e sua controladora inglesa, George Brett Jr. e Harold Macmillan mantiveram uma amizade próxima. A Macmillan Publishers conservou uma participação na empresa americana até vendê-la em 1951 e voltou ao mercado dos Estados Unidos em 1952 com a St. Martin's Press.
A Macmillan of Canada foi fundada em 1905 e adquirida pela Maclean-Hunter em 1973. Depois de sucessivas fusões, a Macmillan Canada foi dissolvida em 2002, após ser adquirida pela John Wiley & Sons.
Harold Macmillan, neto do cofundador Daniel, foi primeiro-ministro do Reino Unido de 10 de janeiro de 1957 a 18 de outubro de 1963. Antes disso, trabalhou na empresa da família como sócio júnior de 1920 a 1940, quando se tornou subsecretário de Estado para as Colônias. Voltou a trabalhar na Macmillan Publishers de 1945 a 1951, período em que também fazia parte da oposição no Parlamento.
Depois de se aposentar da política em 1964, Harold tornou-se presidente do conselho da empresa e permaneceu no cargo até 1974, quando o passou ao filho Maurice Macmillan. Maurice, que havia sido Tesoureiro Geral no governo derrotado de Edward Heath, também deixou o governo e assumiu na empresa o cargo mais honorífico de presidente. Maurice morreu em 10 de março de 1984. Harold Macmillan morreu em dezembro de 1986.
A Macmillan tornou-se a única proprietária da Pan Books em 1986. Em 1990, a Pan uniu-se à divisão de publicações comerciais da Macmillan para formar a Pan Macmillan.
Século XXI
A Pearson adquiriu o nome Macmillan nos Estados Unidos em 1998, depois de comprar o grupo educacional e profissional da Simon & Schuster, que reunia propriedades e marcas da Macmillan Inc. A Holtzbrinck comprou o nome da Pearson em 2001. A McGraw-Hill manteve a marca Macmillan/McGraw-Hill em seus títulos da pré-escola ao ensino fundamental.
As operações americanas da Holtzbrinck Publishing passaram a se chamar Macmillan em outubro de 2007. O selo de audiolivros Audio Renaissance passou a se chamar Macmillan Audio, e o braço de distribuição Von Holtzbrinck Publishers Services tornou-se Macmillan Publishers Services.
A Pan Macmillan comprou a Kingfisher, editora britânica de livros infantis, da Houghton Mifflin em outubro de 2007. A Kingfisher havia sido lançada na década de 1970 com o antigo nome Grisewood and Dempsey. Depois da aquisição, Simon Boughton, editor da Roaring Brook Press, assumiu a gestão dos negócios da Kingfisher nos Estados Unidos.
Em 2009, algumas estimativas situavam os livros digitais entre 3% e 5% do total de livros vendidos, fazendo deles o segmento de crescimento mais rápido do mercado. A Macmillan e outras grandes editoras temiam que os fortes descontos nos livros digitais oferecidos por varejistas como Amazon, Barnes & Noble e Sony reduzissem o valor que os consumidores aceitariam pagar por livros. A editora respondeu com um novo contrato-padrão para seus autores, que fixava em 20% da receita líquida a remuneração sobre vendas de livros digitais, cinco pontos percentuais abaixo da taxa paga pela maior parte das outras grandes editoras.
Depois do anúncio do iPad da Apple em 27 de janeiro de 2010, produto que daria acesso à iBookstore, a Macmillan ofereceu duas opções à Amazon.com. A empresa poderia continuar vendendo livros digitais por um preço escolhido pelo varejista, no chamado modelo de atacado, mas a edição digital só sairia alguns meses depois da edição em capa dura. A alternativa era adotar o modelo de agência introduzido pela Apple, com lançamento simultâneo das duas edições e preço definido pela editora. Nesse segundo modelo, a Amazon.com receberia uma comissão de 30%. A Amazon retirou do site todos os livros da Macmillan, digitais e impressos, embora as ofertas de vendedores afiliados continuassem listadas. Em 31 de janeiro de 2010, a Amazon aceitou o modelo de agência preferido pela Macmillan.
Em abril de 2012, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu o processo United States v. Apple Inc. contra Apple, Macmillan e outras quatro grandes editoras. A ação afirmava que as empresas haviam conspirado para fixar os preços dos livros digitais e enfraquecer a posição da Amazon no mercado, violando a legislação antitruste dos Estados Unidos. Em dezembro de 2013, um juiz federal aprovou um acordo sobre as acusações antitruste. A Macmillan e as outras editoras pagaram valores a um fundo que concedeu créditos aos consumidores que haviam pago preços maiores por livros em consequência da fixação de preços.
Em 2012, a controladora Holtzbrinck passou por uma reorganização. As operações editoriais americanas voltadas ao consumidor ficaram sob o comando de John Turner Sargent, a partir de Nova Iorque.
Em 2018, a Pan Macmillan anunciou a mudança de King's Cross para uma nova sede maior, com oito andares, em Clerkenwell, Londres.
Em novembro de 2019, a Macmillan Publishers anunciou que as bibliotecas poderiam comprar apenas um exemplar de cada livro digital durante as oito primeiras semanas após a publicação, numa tentativa de aumentar as vendas por meio de filas de espera mais longas nos grandes sistemas de bibliotecas. A medida provocou reclamações e algumas bibliotecas boicotaram a empresa. A política foi revertida em março de 2020.
Em 2020, a Pan Macmillan recebeu o prêmio de Editora do Ano no British Book Awards pela terceira vez em seis anos.
Em setembro de 2020, a Macmillan anunciou que o diretor-executivo John Sargent deixaria o cargo no fim do ano por causa de "uma divergência sobre os rumos da Macmillan". A decisão foi tomada por Stefan von Holtzbrinck, diretor-executivo do grupo Holtzbrinck.
Em setembro de 2021, foi anunciado que Joanna Prior sucederia Anthony Forbes-Watson como diretora-executiva da Pan Macmillan no Reino Unido. A revista Publishing Perspectives chamou a nomeação de "um grande passo para as mulheres na liderança do mercado editorial". Em entrevista à revista The Bookseller em outubro de 2023, Prior afirmou que as mulheres já haviam provado ser mais do que capazes de dirigir editoras, que era correto ocuparem cargos de direção e que esperava abrir caminho para outras mulheres depois dela.
Em 2022, Jon Yaged foi anunciado como novo diretor-executivo da Macmillan Publishers nos Estados Unidos, no lugar de Don Weisberg.
Em 2023, a Pan Macmillan adquiriu a editora de livros de negócios Harriman House, fundada por Philip Jenks e Stephen Eckett em 1992.
Em maio de 2026, grandes editoras, entre elas a Macmillan, processaram a Meta Platforms, alegando que a empresa usou livros e artigos de periódicos sem permissão para treinar o LLaMA, seu modelo de linguagem de grande escala.
Divisões
Divisões editoriais dos Estados Unidos e seus selos
- Celadon Books
- Farrar, Straus and Giroux
- FSG Originals
- Hill & Wang
- MCD
- North Point Press
- Auwa Books
- Picador
- Flatiron Books
- Flatiron Books
- Flatiron Books: An Oprah Book
- Henry Holt and Company
- Andy Cohen Books
- Henry Holt and Company
- Metropolitan Books
- Macmillan Audio, antes chamada Audio Renaissance
- Macmillan Children's Publishing Group
- Farrar, Straus & Giroux Books for Young Readers
- Feiwel and Friends
- First Second Books, romances gráficos
- Henry Holt Books for Young Readers
- Imprint
- Neon Squid Books
- Odd Dot
- Priddy Books
- Square Fish
- Swoon Reads
- St. Martin's Publishing Group
- Castle Point Books
- Griffin
- Minotaur
- St. Martin's Essentials
- St. Martin's Press
- Wednesday Books
- Saturday Books
- Tor Publishing Group
- Bramble
- Forge
- Nightfire
- Starscape
- Tor Books
- Tor Teen
- Tordotcom Publishing
- Reactor, anteriormente Tor.com
Outras divisões dos Estados Unidos
- Macmillan Publishers Services, antes chamada Von Holtzbrinck Publishers Services, unidade de distribuição para editoras independentes
- Bloomsbury USA
- The College Board
- Drawn & Quarterly
- Entangled Publishing
- Graywolf Press
- Guinness World Records
- Macmillan UK
- Page Street
Selos britânicos da Pan Macmillan
- Bluebird
- Campbell
- FirstInk
- Harriman House
- Kingfisher
- Macmillan
- Macmillan Business
- Macmillan's Children's Books
- Macmillan Collector's Library
- Mantle
- One Boat
- Pan Books
- Picador
- RocketFox
- Tor
- Two Hoots
Leitura adicional
- Hugh Chisholm, ed. (1911). «Macmillan». Encyclopædia Britannica (em inglês). 17 11.ª ed. Cambridge University Press. p. 264
- Harkness, Sarah (2024). Literature for the People (Capa dura) (em inglês). Londres: Macmillan. ISBN 9781035008933
- James, Elizabeth, ed. (2002). Macmillan: A Publishing Tradition (em inglês). [S.l.]: Palgrave Macmillan. ISBN 0-333-73517-X
- Morgan, Charles (1944). The House of Macmillan (1843-1943) (em inglês). Londres: Macmillan