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Intercept Brasil

Intercept Brasil
Todos os dados da infocaixa 9
Periodicidade
Jornal on-line
Sede
Brasil
País
Brasil
Fundação
2 de agosto de 2016 (10 anos)
Fundador(es)
Andrew Fishman Cecília Olliveira Glenn Greenwald
Presidente
Andrew Fishman
Editor
Andrew Fishman Leandro Becker Cecília Olliveira Bianca Pyl Eduardo Goulart
Idioma
português
Website
intercept.com.br

Intercept Brasil é um portal de jornalismo investigativo brasileiro independente e sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro. Fundado em 2016 por Andrew Fishman, Cecília Olliveira e Glenn Greenwald como uma filial do The Intercept, se tornou independente da matriz americana em outubro de 2022.

Se tornou relevante pela divulgação de casos de grande impacto no cenário político nacional, como uma série de reportagens que revelou trocas de mensagens entre membros da Operação Lava Jato e o juiz Sergio Moro, justificando a hipótese de haver motivação política na operação, caso que se tornaria conhecido como Vaza Jato.

A redação voltou a atrair atenção internacional em maio de 2026, quando publicou conversas privadas e documentos que comprovavam que Flávio Bolsonaro havia negociado pessoalmente um financiamento de US$ 22 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A série de reportagens intitulada “Vaza Flávio” contradizia declarações públicas anteriores de Flávio Bolsonaro, nas quais ele negava qualquer ligação com o ex-CEO do Banco Master, o homem no centro da maior fraude financeira da história do Brasil.

Histórico

2 imagens

Fundação como filial do americano The Intercept

Em agosto de 2016, o The Intercept lançou uma versão brasileira, chamada The Intercept Brasil (posteriormente renomeada para Intercept Brasil, sem o artigo em inglês). Editada em português, voltada para o noticiário político brasileiro e produzida por uma equipe de jornalistas brasileiros, que também apresenta notícias traduzidas da edição em inglês.

Quando do lançamento da versão brasileira da publicação, no seu perfil no Facebook, Greenwald disse:

"Com o intuito de ajudar a preencher essa lacuna, anunciamos hoje o lançamento do The Intercept Brasil. Para este projeto piloto, reunimos uma excelente equipe de jornalistas e editores brasileiros que produzirão matérias originais sobre as questões políticas, econômicas, sociais e culturais a serem publicadas na versão em português de nosso site. Também trabalharemos com jornalistas freelance de destaque e outros veículos independentes. Além disso, vamos traduzir nossos artigos de interesse internacional para o inglês, além de publicar outras traduções de matérias do Intercept em português. Neste mês, nosso foco inicial será o julgamento e a votação final do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal, assim como matérias sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além da publicação de conteúdo original, vamos implementar os mesmos princípios de proteção de fontes que ocupam um espaço central na missão do Intercept. As mesmas tecnologias adotadas para que nossas fontes forneçam informações confidenciais contando com a máxima proteção contra vigilância e ataques online (como o SecureDrop) também serão disponibilizadas para nossas fontes de informação brasileiras".

Desmembramento da matriz como uma operação independente

Em 14 de outubro de 2022, o jornal publicou um nota em que anunciava a sua separação da matriz, passando a ser financiado somente por doações de leitores.

Censura judicial

Ricardo Nicolau

Algumas matérias do jornal foram objeto de censura judicial. Em 13 de novembro de 2020, o Intercept Brasil publicou a matéria "Candidato de Manaus conta com o hospital da família, covid e Judiciário para subir nas pesquisas", sobre Ricardo Nicolau (PSD-AM), ex-deputado estadual da Assembleia Legislativa do Amazonas e então candidato à prefeitura de Manaus. O subtítulo da matéria cita: "Ricardo Nicolau foi denunciado por abuso de poder econômico, mas a juíza que analisa os processos é amiga da cunhada do candidato". A matéria foi retirada do ar em 15 de novembro por decisão do juiz Alexandre Henrique Novaes de Araújo da justiça eleitoral do Amazonas, e o Intercept obteve decisão para restaurar o texto 3 dias depois. Um editorial foi publicado com mais detalhes do caso: "Uma reportagem do Intercept foi censurada e nós descobrimos o motivo", com o subtítulo "Fomos obrigados a tirar uma reportagem do ar pela primeira vez em nossa história – graças às relações entre política e Judiciário no Amazonas".

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) publicou uma nota repudiando o caso. O então editor-executivo do Intercept Brasil declarou que "Juízes, procuradores, promotores e políticos têm utilizado os Juizados Especiais Cíveis para processar jornalistas, o que é um absurdo por reduzir muito nossa capacidade de defesa. Além disso, uma decisão como essa, na qual o juiz diz que publicamos “fatos sabidamente inverídicos”, mas não aponta quais são, é perigoso. Mostramos a rede de amizade [do candidato] no Judiciário, as fragilidades da peça. Se isso virar regra, a liberdade de imprensa está em risco".

Sidney Zamora

Em setembro de 2025, o Intercept Brasil publicou a matéria "O raio-x de um latifúndio", detalhando propriedades de Sidney Zamora, um pecuarista com terras na Amazônia investigado por suspeitas de fraude, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro, desmatamento e formação de milícias com uso de forças policiais para ameaçar e atacar os sem-terra em sua propriedade, sendo apontado por investigações da Polícia Federal como responsável por um esquema de grilagem de terras que teria gerado um prejuízo de 68 milhões de reais. A matéria foi retirada do ar por determinação do juiz Leandro Leri Gross, da 3.ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, no Acre, sendo o texto substituído por um informe da decisão. O texto acrescenta ainda: "O Intercept Brasil discorda veementemente da decisão, que considera uma afronta à liberdade de imprensa prevista na Constituição brasileira, e irá recorrer." A matéria censurada original pode ser acessada através da Wayback Machine.

Um editorial sobre a censura recebida, publicado no mesmo mês, intitulado "Ordem de censura ameaça o futuro de todos nós para defender um latifundiário" foi igualmente censurado, por determinação do mesmo juiz. Acessando o link, lê-se um breve texto sobre a decisão, com o título de "Este editorial sobre censura foi censurado". O texto acrescenta: "A censura voltou. E voltou pior: um juiz mandou tirar nossa reportagem do ar e nos proibiu de publicar qualquer coisa sobre os poderosos que pediram a censura." O editorial censurado também pode ser acessado através da Wayback Machine.

Outros veículos de imprensa também foram alvo de decisões judiciais de censura, tais como o Brasil de Fato, embora tenham conseguido decisões favoráveis em instâncias superiores.

Prêmios

Prêmio Vladimir Herzog

Prêmio Vladimir Herzog de Texto
Ano Obra Autores Resultado
2020 "FBI e a Lava-Jato (série Vaza Jato)" Natalia Viana, Mariam Saleh, Andrew Fishman, Alice Maciel, Rafael Neves, Marina Amaral, Bruno Fonseca e Larissa Fernandes (Agência Pública, em parceria com The Intercept Brasil) Venceu
Menção Honrosa do Prêmio Vladimir Herzog por Multimídia
Ano Obra Autores Resultado
2020 "Arsenal Global" Cecília Olliveira e Leandro Demori (The Intercept Brasil) Venceu

Críticas e controvérsias

"Estupro culposo"

Em 3 de novembro de 2020, o site publicou uma reportagem sobre o Caso Mariana Ferrer que mostrava uma audiência que aconteceu em setembro no mesmo ano em que o advogado de André Aranha, Cláudio Gastão, é mostrado aviltando Mariana e sem nenhuma ação do juiz do caso, nessa mesma reportagem o portal utiliza o termo "estupro culposo" que não é citado pelos promotores e nem pelo magistrado, como diz o professor de direito constitucional Thiago Sorrentino: “A expressão “estupro culposo” embaralhou e atrapalhou muito o devido conhecimento sobre o caso, pois não só é equivocada no Direito, como em nenhum momento foi utilizada na sentença. Em lógica jurídica, trata-se de uma falácia”.

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