Simo "Simuna" Häyhä (Rautjärvi, 17 de dezembro de 1905 – Hamina, 1 de abril de 2002) apelidado de "Morte Branca" (em russo: Белая смерть, transl. Belaya smert; em finlandês: Valkoinen kuolema; em sueco: Vita döden) foi um soldado finlandês e o mais eficiente franco-atirador da história mundial. Ele é creditado com mais de 500 mortes confirmadas de soldados do Exército Vermelho durante a Guerra de Inverno, em menos de 100 dias, o maior número de abates por um atirador de elite em qualquer grande guerra.
Biografia
Juventude e serviço na guerra
Häyhä nasceu na cidade de Rautjärvi, na então Província de Víborg, no sul da Finlândia. Foi o sétimo de oito filhos de uma família luterana de fazendeiros. Antes do serviço militar, era fazendeiro e caçador, e gostava de esquiar. Aos 17 anos, entrou para a Guarda Civil (Suojeluskunta) e destacou-se em competições de tiro na Província de Víborg, ganhando vários troféus.
Em 1925, aos 19 anos, começou o serviço militar obrigatório no Batalhão de Bicicletas 2. Frequentou a Escola de Suboficiais, mas só recebeu treinamento formal de atirador de elite em 1938, um ano antes do conflito, em Utti.
Durante a Guerra de Inverno, serviu na 6ª Companhia do Regimento de Infantaria 34 (JR 34), sob o comando do Tenente Aarne Juutilainen, na Batalha de Kollaa. O inverno de 1939–1940 foi um dos mais frios já registrados na Finlândia, com temperaturas entre -40°C e -20°C. Häyhä usava camuflagem totalmente branca, enquanto as tropas soviéticas, desorganizadas pelos expurgos de Stalin, não tinham uniformes de camuflagem de inverno, tornando-se alvos fáceis na neve.
Trabalhando nessas condições extremas, Häyhä preferia usar miras de ferro (comuns) em vez de miras telescópicas, pois a luneta poderia refletir a luz do sol e revelar sua posição, além de embaçar no frio. Ele compactava a neve à sua frente para que o tiro não a soprasse e colocava neve na boca para esconder a respiração. Sua baixa estatura (1,60 m) o ajudava a se esconder na neve.
Além das mortes por fuzil, Häyhä foi creditado por abater mais de duzentos soldados inimigos com a submetralhadora Suomi KP/-31, elevando sua contagem total estimada para mais de 500 baixas. Seu recorde diário foi de 25 mortes em 21 de dezembro de 1939. A propaganda de guerra finlandesa o transformou em um herói mítico, apelidado de "Morte Branca".
Ferimento e recuperação
O Exército Vermelho tentou matá-lo várias vezes, usando contra-atiradores e bombardeios de artilharia. Em 6 de março de 1940, uma semana antes do fim da guerra, Häyhä foi atingido no rosto por uma bala explosiva que quebrou sua mandíbula inferior esquerda. Dado como morto, foi colocado em uma pilha de cadáveres, até que alguém notou que ele ainda mexia o pé. Ele acordou do coma no dia 13 de março, exatamente quando a paz foi declarada.
Por causa da gravidade dos ferimentos, seu pedido para lutar na Guerra da Continuação (1941-1944) foi negado. Ele passou o restante da guerra na frente doméstica, cuidando da fazenda.
Condecorações e honrarias
Condecorações militares
Durante sua carreira militar, Simo Häyhä recebeu as seguintes condecorações por bravura e serviço na Guerra de Inverno:
- Cruz da Liberdade, 3ª Classe (1940)
- Cruz da Liberdade, 4ª Classe (1940)
- Medalha da Liberdade, 1ª Classe (1940)
- Medalha da Liberdade, 2ª Classe (1940)
- Cruz de Kollaa, Nº 4 (1940) — Concedida aos defensores da linha do rio Kollaa. A de Häyhä foi uma das primeiras sete fabricadas em prata, ficando atrás apenas das de Mannerheim, do Presidente Kyösti Kallio e do Coronel Antero Svensson.
Rifle Honorário
Em 17 de fevereiro de 1940, como honra adicional, ele recebeu um rifle personalizado SAKO M/28-30 "Pystykorva" com uma placa de identificação, doado por Eugen Johansson, um empresário sueco e apoiador da Finlândia. Na época, sua contagem oficial de mortes com fuzil era de 219.
Promoção
Em 28 de agosto de 1940, o Marechal Carl Gustaf Emil Mannerheim o promoveu diretamente de Cabo (Alikersantti) a Segundo-Tenente (Vänrikki), o primeiro posto de oficial, um salto jamais visto na história militar finlandesa.
A Cruz de Mannerheim e a controvérsia
Em 1941, Häyhä foi formalmente indicado (nomeado) para receber a Cruz de Mannerheim (Mannerheim-risti), a mais alta condecoração militar da Finlândia. No entanto, por razões administrativas, a honraria não foi concedida, pois a medalha não foi dada a ninguém apenas por feitos realizados na Guerra de Inverno. Muitos historiadores consideram essa decisão uma das maiores injustiças da história militar finlandesa, especialmente quando comparada ao reconhecimento soviético dado a atiradores como Vassili Zaitsev, que recebeu a medalha de Herói da União Soviética por seus feitos em Stalingrado.
Honrarias civis
- Cidadão Honorário de Rautjärvi (sua cidade natal).
- Eleito o 74º maior finlandês de todos os tempos no programa Suuret Suomalaiset (2004).
- O Museu Kollaa e Simo Häyhä, inaugurado em 1983 em Miettilä, Rautjärvi, é dedicado à sua vida e à batalha.
Velhice
Häyhä levou vários anos para se recuperar do ferimento, e seu rosto ficou permanentemente desfigurado. Ele nunca se casou e viveu como solteiro. Após a guerra, como sua fazenda ficou no território cedido à URSS, recomeçou a vida em Ruokolahti, onde trabalhou como fazendeiro, caçador de alces e criador de cães. Apesar de sua fama, sofreu ameaças de morte e evitava multidões.
Em 1998, ao ser perguntado sobre como se tornou um atirador tão bom, respondeu: "prática". Em 2001, questionado se tinha remorsos por ter matado tantas pessoas, disse: "Fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível. Não haveria Finlândia se todos não tivessem feito o mesmo."
Simo Häyhä morreu de causas naturais em 1 de abril de 2002, aos 96 anos, em um asilo de veteranos em Hamina.
Homenagens
- A banda de power-metal sueca Sabaton homenageou Simo na música "White Death", do álbum Coat of Arms, de 2010.
- A banda brasileira de Heavy Metal WHITE DEATH foi inspirada no apelido de Simo Häyhä.
- No mangá Shuumatsu no Valkyrie, Simo Häyhä luta e derrota o deus Loki.
- No episódio "Red Baron vs. White Death" do Epic Rap Battles of History, Häyhä enfrenta Manfred von Richthofen.
