A Serra do Espinhaço é uma proeminente cordilheira brasileira, considerada a única cordilheira do país devido à sua extensão, continuidade e complexidade geológica. Esta localizada no planalto Atlântico, estendendo-se pelos estados de Minas Gerais e Bahia. Seus terrenos são do Proterozoico e contêm jazidas de ferro, manganês, bauxita e ouro. Ela atua como um divisor de águas e como um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade e endemismo do planeta, abrigando a transição entre a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga. Em 2005, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu uma ampla porção de sua extensão como Reserva da Biosfera.
Etimologia
O termo "Espinhaço" foi cunhado pelo geólogo e geógrafo alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege no início do século XIX (especificamente em sua obra de 1822, Brasilien, die neue Welt). Eschwege utilizou a metáfora anatômica de uma "espinha vertebral" (em alemão, Rückenknochen ou Rückgrat) devido ao aspecto visual e estrutural da cadeia de montanhas, que corta o território em linha quase contínua no sentido norte-sul, assemelhando-se à coluna vertebral do relevo do Leste brasileiro.[carece de fontes]?
História
Foi principalmente ao longo da serra do Espinhaço e do Quadrilátero Ferrífero que ocorreu a mineração no período colonial. Em consequência, os núcleos urbanos mais importantes se formaram, como Ouro Preto, Sabará, Serro e São João Del Rei.
Seu nome foi dado pelo geólogo alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege no século XIX. É responsável pela divisão entre as redes de drenagem do rio São Francisco e as redes de drenagem dos rios que correm diretamente para o oceano Atlântico. É considerada reserva mundial da biosfera, por ser uma das regiões mais ricas do planeta, graças sua grande diversidade biológica.
Em 2005 foi reconhecida a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, com uma área de 30 700 km², devido à sua grande diversidade de recursos naturais.
Geografia

A serra do Espinhaço pode ser considerada a única cordilheira do Brasil, e é singular em sua forma e formação. Tendo sua formação iniciada há mais de um bilhão de anos, é uma cadeia de montanhas extremamente longa e estreita, entrecortada por diversos picos e vales.
Geologicamente, a Serra do Espinhaço é classificada como um "anticlinório" ou um cinturão de dobramentos cujo tectonismo principal remonta ao Paleoproterozoico e Neoproterozoico (Sistemas Espinhaço e São Francisco), composto majoritariamente por rochas metassedimentares, com destaque para quartzitos, xistos, conglomerados e itabiritos.
Tem cerca de 1000 quilômetros de extensão, no sentido latitudinal do Quadrilátero Ferrífero, ao Norte de Minas e, depois de uma breve interrupção, alcança a porção sul da Bahia. Todo esse percurso apresenta uma diferença mínima de longitude, ou seja, sua largura varia apenas entre 50 e 100 km. Entre os municípios que são cortados pela Serra do Espinhaço estão, entre outros, Ouro Branco, Ouro Preto, Catas Altas, Caeté, Serro, Diamantina, Botumirim, Grão Mogol, Itacambira, Porteirinha, Mato Verde, Espinosa, Olhos-d'Água, e Monte Azul.
O ponto mais alto da serra é o Pico do Sol com 2.070 metros acima do nível do mar, localizado no Parque Natural do Caraça no município de Catas Altas, parque que ainda abriga o Pico do Inficionado (2.064 m), o Pico da Carapuça (1.955 m), e o Pico da Canjerana (1.928 m). Além desses, a serra ainda abriga outros picos famosos como o Pico do Itambé (2.052 m) e o Pico do Itacolomi (1.772 m).
Hidrografia
A Serra do Espinhaço funciona como uma barreira orográfica e um dos principais divisores de águas do ecossistema hidrográfico do leste e nordeste do Brasil. Suas vertentes alimentam diretamente três grandes regiões hidrográficas nacionais:
- Bacia do Rio São Francisco: Recebe os volumes das vertentes ocidentais (como o Rio das Velhas, Rio Verde Grande e Rio Paraopeba).
- Bacia do Atlântico Leste / Sudeste: Alimentada pelas vertentes orientais, dando origem a rios que correm diretamente para o Oceano Atlântico, incluindo o Rio Doce, Rio Jequitinhonha, Rio Mucuri e Rio Pardo.
- Bacia do Rio Paraguaçu: Localizada na seção baiana (Chapada Diamantina), sendo a principal fonte de abastecimento de água da região metropolitana de Salvador.
Unidades de Conservação e Pontos Turísticos
Para mitigar os impactos da degradação ambiental, os governos federal e estaduais instituíram uma rede de Unidades de Conservação (UCs) ao longo do Espinhaço, as quais servem hoje como os principais pontos de visitação controlada e pesquisa científica:
- Parque Nacional da Chapada Diamantina (BA): Protege 152 mil hectares de ecossistemas serranos na Bahia.
- Parque Nacional da Serra do Cipó (MG): Reconhecido pela alta concentração de cachoeiras e campos rupestres.
- Parque Nacional de Sempre-Vivas (MG): Localizado no planalto de Diamantina, protege as nascentes locais e espécies endêmicas de flora.
- Santuário do Caraça (MG): Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que abriga um complexo arquitetônico neogótico histórico e o Pico do Sol.
Endemismo Científico
A comunidade botânica internacional classifica a Serra do Espinhaço como um hotspot de biodiversidade dentro dos biomas brasileiros devido aos Campos Rupestres (ecossistemas que se desenvolvem em solos quartzíticos acima de 900 metros de altitude).
- Espécies Endêmicas: Mais de 30% da flora dos campos rupestres do Espinhaço não existe em nenhum outro lugar do planeta. Destacam-se as famílias Eriocaulaceae (sempre-vivas), Velloziaceae (canelas-de-ema) e centenas de espécies de orquídeas e bromélias adaptadas a solos áridos e sazonais.
- Fauna Exclusiva: O anfíbio Bokermannohyla alvarengai (perereca-das-rochas) e aves como o Augastes scutatus (beija-flor-de-gravata-verde) possuem distribuição geográfica restrita estritamente aos afloramentos quartzíticos desta cordilheira.
