A política monetária é a política adotada pela autoridade monetária de uma nação para afetar as condições monetárias e outras condições financeiras a fim de alcançar objetivos mais amplos, como o alto nível de emprego e a estabilidade de preços (normalmente interpretada como uma taxa de inflação baixa e estável). Outros propósitos de uma política monetária podem ser contribuir para a estabilidade econômica ou manter taxas de câmbio previsíveis com outras moedas. Hoje, a maioria dos bancos centrais em países desenvolvidos conduz sua política monetária dentro de um regime de metas de inflação, enquanto as políticas monetárias dos bancos centrais da maioria dos países em desenvolvimento visam algum tipo de sistema de taxa de câmbio fixa. Uma terceira estratégia de política monetária, visando a oferta monetária, foi amplamente seguida durante a década de 1980, mas diminuiu em popularidade desde então, embora ainda seja a estratégia oficial em várias economias emergentes.
As ferramentas da política monetária variam de banco central para banco central, dependendo do estágio de desenvolvimento do país, da estrutura institucional, da tradição e do sistema político. O estabelecimento de metas de taxa de juros é geralmente a ferramenta principal, sendo obtida diretamente via alteração administrativa das próprias taxas de juros do banco central ou indiretamente por meio de operações de mercado aberto. As taxas de juros afetam a atividade econômica geral e, consequentemente, o emprego e a inflação através de uma série de canais diferentes, conhecidos coletivamente como o mecanismo de transmissão monetária, e são também um determinante importante da taxa de câmbio. Outras ferramentas de política incluem estratégias de comunicação, como a orientação futura (*forward guidance*) e, em alguns países, a definição de depósitos compulsórios. A política monetária é frequentemente referida como sendo expansionista (baixando as taxas, estimulando a atividade econômica e, consequentemente, o emprego e a inflação) ou contracionista (refreando a atividade econômica, diminuindo assim o emprego e a inflação).
A política monetária afeta a economia por meio de canais financeiros, como taxas de juros, taxas de câmbio e preços de ativos financeiros. Isso contrasta com a política fiscal, que depende de mudanças na tributação e nos gastos públicos como métodos para um governo gerenciar fenômenos do ciclo econômico, como recessões. Em países desenvolvidos, a política monetária é geralmente formulada separadamente da política fiscal, sendo os bancos centrais modernos em economias desenvolvidas independentes de controle e diretrizes diretas do governo.
A melhor forma de conduzir a política monetária é uma área de pesquisa ativa e debatida, baseando-se em campos como a economia monetária, bem como outros subcampos dentro da macroeconomia.
História







Emissão de moedas
A política monetária evoluiu ao longo dos séculos, juntamente com o desenvolvimento de uma economia monetária. Historiadores, economistas, antropólogos e numismatas não concordam sobre as origens do dinheiro. No Ocidente, o ponto de vista comum é de que as moedas foram usadas pela primeira vez na Lídia Antiga no século VIII a.C., ao passo que alguns datam as origens na China Antiga. Os primeiros predecessores da política monetária parecem ser os de aviltamento da moeda, onde o governo derretia moedas e as misturava com metais mais baratos. A prática era generalizada no final do Império Romano, mas atingiu sua perfeição na Europa Ocidental no final da Idade Média.
Por muitos séculos, existiram apenas duas formas de política monetária: alterar a cunhagem ou a impressão de papel-moeda. As taxas de juros, embora hoje consideradas parte da autoridade monetária, geralmente não eram coordenadas com as outras formas de política monetária durante esse período. A política monetária era considerada uma decisão executiva e geralmente era implementada pela autoridade com senhoriagem (o poder de cunhar). Com o advento de redes comerciais maiores, surgiu a capacidade de definir o valor da moeda em termos de ouro ou prata, e o preço da moeda local em termos de moedas estrangeiras. Este preço oficial podia ser imposto por lei, mesmo que variasse do preço de mercado.
O papel-moeda originou-se de notas promissórias chamadas "jiaozi" na China do século VII. O jiaozi não substituiu a moeda metálica e era usado paralelamente às moedas de cobre. A sucessiva Dinastia Yuan foi o primeiro governo a usar o papel-moeda como meio de circulação predominante. No final da dinastia, enfrentando escassez massiva de espécie (moeda metálica) para financiar guerras e manter seu domínio, começaram a imprimir papel-moeda sem restrições, resultando em hiperinflação.
Bancos centrais e o padrão-ouro
Com a criação do Banco da Inglaterra em 1694, ao qual foi concedida a autoridade para imprimir notas lastreadas em ouro, a ideia de política monetária como independente da ação executiva começou a ser estabelecida. O propósito da política monetária era manter o valor da cunhagem, imprimir notas que seriam negociadas ao par com a espécie e evitar que as moedas saíssem de circulação. Durante o período de 1870–1920, as nações industrializadas estabeleceram sistemas bancários centrais, sendo um dos últimos o Federal Reserve em 1913. Nessa época, o papel do banco central como "Credor de última instância" estava estabelecido. Também se compreendia cada vez mais que as taxas de juros tinham um efeito em toda a economia, em grande parte devido à apreciação pela revolução marginalista na economia, que demonstrou que as pessoas mudariam suas decisões com base em mudanças em seus custos de oportunidade.
O estabelecimento de bancos nacionais por nações em industrialização estava associado ao desejo de manter a relação da moeda com o padrão-ouro e de negociar em uma estreita banda cambial com outras moedas lastreadas em ouro. Para atingir esse fim, os bancos centrais, como parte do padrão-ouro, começaram a definir as taxas de juros cobradas tanto de seus próprios tomadores de empréstimos quanto de outros bancos que necessitavam de dinheiro para liquidez. A manutenção de um padrão-ouro exigia ajustes quase mensais das taxas de juros.
O padrão-ouro é um sistema pelo qual o preço da moeda nacional é fixado em relação ao valor do ouro e mantido constante pela promessa do governo de comprar ou vender ouro a um preço fixo em termos da moeda base. O padrão-ouro pode ser considerado um caso especial de política de "taxa de câmbio fixa" ou um tipo especial de meta de nível de preços de commodities. No entanto, as políticas necessárias para manter o padrão-ouro podiam ser prejudiciais ao emprego e à atividade econômica geral, e provavelmente exacerbaram a Grande Depressão na década de 1930 em muitos países, levando eventualmente ao fim dos padrões-ouro e a esforços para criar um arcabouço monetário internacional mais adequado após a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o padrão-ouro não é mais utilizado por nenhum país.
Prevalência de taxas de câmbio fixas
Em 1944, foi estabelecido o Sistema de Bretton Woods, que criou o Fundo Monetário Internacional e introduziu um sistema de taxas de câmbio fixas vinculando as moedas da maioria das nações industrializadas ao dólar americano, que, como a única moeda no sistema, seria diretamente conversível em ouro. Durante as décadas seguintes, o sistema garantiu taxas de câmbio estáveis internacionalmente, mas o sistema entrou em colapso durante a década de 1970, quando o dólar passou a ser visto cada vez mais como supervalorizado. Em 1971, a conversibilidade do dólar em ouro foi suspensa. As tentativas de reviver as taxas de câmbio fixas falharam e, em 1973, as principais moedas começaram a flutuar entre si. Na Europa, várias tentativas foram feitas para estabelecer um sistema regional de câmbio fixo através do Sistema Monetário Europeu, levando eventualmente à União Econômica e Monetária da União Europeia e à introdução da moeda euro.
Metas de oferta monetária
Economistas monetaristas há muito sustentam que o crescimento da oferta monetária pode afetar a macroeconomia. Entre eles estava Milton Friedman, que no início de sua carreira defendia que os déficits orçamentários do governo durante as recessões fossem financiados em valor igual pela criação de dinheiro para ajudar a estimular a demanda agregada por produção. Mais tarde, ele passou a defender o simples aumento da oferta monetária a uma taxa baixa e constante como a melhor forma de manter a inflação baixa e o crescimento estável da produção. Durante a década de 1970, a inflação subiu em muitos países devido à crise energética da década de 1970, e vários bancos centrais recorreram a uma meta de oferta monetária na tentativa de reduzir a inflação. No entanto, quando o presidente do Federal Reserve dos EUA, Paul Volcker, tentou essa política a partir de outubro de 1979, ela se mostrou impraticável devido à relação instável entre os agregados monetários e outras variáveis macroeconômicas, e resultados semelhantes prevaleceram em outros países. Mesmo Milton Friedman reconheceu mais tarde que o suprimento direto de dinheiro foi menos bem-sucedido do que ele esperava.
Metas de inflação
Em 1990, a Nova Zelândia foi o primeiro país a adotar uma oficial meta de inflação como base de sua política monetária. A ideia é que o banco central tenta ajustar as taxas de juros para direcionar a taxa de inflação do país para a meta oficial, em vez de seguir objetivos indiretos como a estabilidade cambial ou o crescimento da oferta monetária, cujo propósito normalmente também é, em última análise, obter uma inflação baixa e estável. A estratégia foi geralmente considerada bem-sucedida, e os bancos centrais na maioria dos países desenvolvidos adaptaram, ao longo dos anos, uma estratégia semelhante.
A Crise financeira de 2008 gerou controvérsia sobre o uso e a flexibilidade das metas de inflação empregadas. Muitos economistas argumentaram que as metas de inflação reais decididas foram estabelecidas em patamares muito baixos por muitos regimes monetários. Durante a crise, muitos países que utilizavam a inflação como âncora atingiram o limite inferior de taxas zero, resultando em taxas de inflação diminuindo para quase zero ou até mesmo deflação.
Em 2023, pode-se dizer que os bancos centrais de todos os países membros do G7 seguem uma meta de inflação, incluindo o Banco Central Europeu e o Federal Reserve, que adotaram os principais elementos das metas de inflação sem se denominarem oficialmente seguidores de tais metas. Nos países emergentes, os regimes de câmbio fixo ainda são a política monetária mais comum.
De acordo com o conjunto de dados de Zhang, 45 países individuais e a Zona Euro adotaram metas de inflação até 2024. Os bancos centrais estabeleceram uma meta de inflação média de 3,5%, embora as metas específicas variem amplamente de 2% a 35%. Os limites médio inferior e superior das bandas de meta de inflação são de 2,3% e 4,7%. Os bancos centrais mantiveram a inflação dentro de seus intervalos de meta durante 44% do tempo em qualquer ano dado.
Instrumentos de política monetária







Os instrumentos disponíveis aos bancos centrais para a condução da política monetária variam de país para país, dependendo do estágio de desenvolvimento, da estrutura institucional e do sistema político da nação. Os principais instrumentos de política monetária disponíveis são a política de taxas de juros (ou seja, a definição direta de taxas administradas), as operações de mercado aberto, a orientação futura (*forward guidance*) e outras atividades de comunicação, os depósitos compulsórios bancários e o redesconto (incluindo o uso do mercado de recompra a termo). Embora a adequação de capital seja importante, ela é definida e regulada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), e os bancos centrais, na prática, geralmente não aplicam regras mais rígidas que as internacionais.
A política expansionista ocorre quando uma autoridade monetária utiliza seus instrumentos para estimular a economia. Uma política expansionista diminui as taxas de juros de curto prazo, afetando as condições financeiras amplas para incentivar os gastos com bens e serviços, o que, por sua vez, leva ao aumento do emprego. Ao afetar a taxa de câmbio, também pode estimular as exportações líquidas. A política contracionista funciona na direção oposta: o aumento das taxas de juros desestimula empréstimos e gastos de consumidores e empresas, reduzindo a pressão inflacionária na economia junto com o nível de emprego.
Taxas de juros de referência
Para a maioria dos bancos centrais em economias avançadas, o principal instrumento de política monetária é uma taxa de juros de curto prazo. Para regimes operando sob âncora cambial, o ajuste das taxas de juros é, junto com a intervenção direta no mercado de câmbio (operações de mercado aberto), uma ferramenta importante para manter a taxa desejada. Para bancos centrais com metas de inflação diretas, o ajuste de juros é crucial para o mecanismo de transmissão monetária, que afeta a inflação. Mudanças nas taxas de política do banco central normalmente afetam as taxas que bancos e outros credores cobram em empréstimos para empresas e famílias.
Taxas de juros mais altas reduzem a inflação ao diminuir o consumo agregado de bens e serviços por vários caminhos causais. Custos de empréstimos mais elevados podem causar escassez de caixa para as empresas, que reduzem gastos diretos para cortar custos. Também tendem a reduzir gastos com mão de obra, o que diminui a renda familiar e o consumo. Mudanças nos juros também afetam os preços de ativos, como ações e imóveis. Embora o fluxo de caixa dos proprietários de ativos possa não ser afetado (a menos que vendam ou tomem novos empréstimos), eles se sentem menos ricos (o efeito riqueza) e reduzem gastos.
O aumento dos juros também tem efeitos secundários menores que diminuem a oferta e tendem a aumentar a inflação (ou fazer com que diminua mais lentamente). No lado individual, taxas hipotecárias crescentes desestimulam proprietários a mudar de casa se tiverem uma hipoteca antiga com taxa fixa baixa. No lado empresarial, o menor investimento pode resultar em menor oferta de novas casas e outros bens.
Empresas com altos custos de financiamento estão menos dispostas a investir na expansão dos negócios. Diferenciais de taxas de juros internacionais também afetam as taxas de câmbio e, consequentemente, as exportações e importações. Consumo, investimento e exportações líquidas são componentes importantes da demanda agregada. Estimular ou suprimir a demanda global por bens e serviços tenderá a aumentar ou diminuir, respectivamente, a inflação.
O mecanismo concreto de implementação varia entre os bancos centrais. A "taxa de política" pode ser uma taxa administrada (definida diretamente) ou uma taxa de mercado influenciada indiretamente. Ao definir taxas que bancos comerciais recebem por depósitos ou pagam por empréstimos no banco central, a autoridade cria um "corredor" onde as taxas interbancárias flutuam. Isso pode ser um "sistema de corredor" ou um "sistema de piso" (praticado pelo Federal Reserve).
Como exemplo, o Banco do Canadá define uma meta para a taxa overnight com uma banda de ±0,25%. Bancos qualificados emprestam entre si nessa banda, mas nunca fora dela, pois o banco central sempre aceita depósitos no piso e concede empréstimos no teto da banda.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve define uma faixa meta para a taxa de fundos federais (*federal funds rate*). O Fed usa taxas administradas para manter a taxa de mercado dentro da meta. A taxa de juros sobre saldos de reserva (IORB) ajuda a estabelecer um piso, enquanto a taxa de desconto do Fed ajuda a estabelecer um teto.
As taxas-alvo são geralmente de curto prazo. A taxa real de mercado dependerá do risco de crédito percebido e do prazo. Em casos de curvas de rendimento invertidas, as taxas de longo prazo podem ficar abaixo das de curto prazo.
Um banco central típico possui várias ferramentas ou taxas:
- Taxa de empréstimo marginal (ou taxa de desconto) – taxa fixa para instituições tomarem dinheiro emprestado do banco central.
- Taxa principal de refinanciamento (ou taxa de fundos federais) – a taxa visível anunciada publicamente como referência.
- Taxa de depósito – a remuneração recebida por depósitos feitos no banco central.
Operações de mercado aberto
Através de operações de mercado aberto, um banco central pode influenciar as taxas de juros, o câmbio e a oferta monetária. Essas operações influenciam os juros ao expandir ou contrair a base monetária (papel-moeda em circulação e reservas bancárias). Cada vez que o banco central compra títulos (como um título público), ele, na prática, cria dinheiro, aumentando a base monetária. Inversamente, a venda de títulos reduz a base monetária. As operações geralmente assumem a forma de:
- Compra ou venda definitiva de títulos ("operações diretas").
- Empréstimo temporário de dinheiro garantido por títulos ("Operações Compromissadas" ou mercado de "repo").
- Operações de câmbio, como swaps cambiais.
Orientação futura (Forward guidance)
A orientação futura é uma prática de comunicação na qual o banco central anuncia suas previsões e intenções futuras para influenciar as expectativas do mercado sobre os níveis futuros das taxas de juros. Como a formação de expectativas é um ingrediente importante nas mudanças reais de inflação, a comunicação confiável é essencial para os bancos centrais modernos.
Depósitos compulsórios
Historicamente, as reservas bancárias formavam apenas uma pequena fração dos depósitos, sistema chamado de reservas fracionárias. Os bancos mantinham apenas uma pequena porcentagem de seus ativos em dinheiro como seguro contra corridas bancárias. Com o tempo, esse processo foi regulado pelos bancos centrais. Tais requisitos legais de depósito compulsório foram introduzidos no século XIX para reduzir o risco de insolvência bancária.
Alguns bancos centrais aboliram os requisitos de reserva nas últimas décadas, começando pela Nova Zelândia em 1985 e o Federal Reserve em 2020. Nesses sistemas, os requisitos de capital bancário funcionam como controle para o crescimento da oferta monetária. O Banco Popular da China mantém poderes sobre as reservas porque o yuan é uma moeda não conversível.
Direcionamento de crédito
Os bancos centrais podem influenciar a alocação de empréstimos bancários em certos setores aplicando cotas, limites ou taxas diferenciadas. Isso permite controlar tanto a quantidade quanto a alocação do crédito para setores estratégicos, como a política industrial nacional ou investimentos ambientais.
O Banco do Japão utilizou tal política ("orientação de janela") entre 1962 e 1991. O Banco da França também usou amplamente o direcionamento de crédito entre 1948 e 1973. A China também aplica uma forma de política de taxas duplas. As operações TLTRO do Banco Central Europeu também são descritas como direcionamento de crédito, pois os juros pagos pelos bancos dependem do volume de empréstimos feitos à economia real.
Requisitos cambiais
Para influenciar a oferta monetária, alguns bancos centrais exigem que as receitas em moeda estrangeira (geralmente de exportações) sejam trocadas pela moeda local. A taxa pode ser baseada no mercado ou definida arbitrariamente pelo banco. Este instrumento é comum em países com moedas não conversíveis ou parcialmente conversíveis.
Política de colaterais
Os bancos centrais podem regular o "empréstimo de margem", estabelecendo uma proporção mínima entre o valor dos títulos dados em garantia e o montante emprestado. Também podem exigir padrões mínimos de classificação de crédito para os ativos aceitos como colateral em seus empréstimos às instituições financeiras.
Política monetária não convencional no limite zero
Formas de política usadas quando as taxas de juros estão em ou perto de 0% (e há risco de deflação) são chamadas de políticas monetárias não convencionais. Incluem a flexibilização de crédito, flexibilização quantitativa (QE), orientação futura e sinalização. Na flexibilização de crédito, o banco central compra ativos do setor privado para melhorar a liquidez. Na sinalização, busca reduzir as expectativas do mercado para juros futuros.
Dinheiro de helicóptero
Propostas semelhantes incluem a ideia de dinheiro de helicóptero, onde o banco central cria dinheiro sem ativos como contrapartida em seu balanço, distribuindo-o diretamente à população. Isso visaria aumentar a demanda e a inflação em cenários de estagnação. O conceito ganhou destaque em 2016, quando o presidente do BCE, Mario Draghi, chamou-o de "muito interessante". Tal opção poderia ser particularmente eficaz no limite inferior zero.
Procura e oferta da moeda

A procura por moeda consiste na procura total por dinheiro para dois diferentes usos:
- Moeda como ativo.
- Moeda para transações.
A procura por moeda como um ativo decresce com o aumento da taxa de juros. Isso acontece porque quanto maior a taxa de juros, maior é o custo de oportunidade de ter dinheiro líquido em mãos, já que o mesmo poderia estar depositado em alguma instituição financeira ou investido em obrigações do tesouro onde o rendimento dos juros estimularia o indivíduo a investi-lo.
A procura por moeda para transações como compra e venda de produtos e serviços é completamente independente da taxa de juros. A oferta de moeda também é ou não independente da taxa de juros e é controlada pelo banco central.
Política monetária expansiva e contracionista
Existem dois principais tipos de política monetária a serem adotados pelo governo; a política rigorosa e a política flexível.
A política monetária expansiva consiste em aumentar a oferta de moeda, reduzindo assim a taxa de juros básica e estimulando investimentos maioritariamente no setor privado. Essa política é adaptada em épocas de recessão visando aumentar a demanda agregada e gerar novos empregos.
Pelo contrário, a política monetária contracionista consiste em reduzir a oferta de moeda, aumentando assim a taxa de juros e reduzindo os investimentos no setor privado. Essa modalidade da política monetária é aplicada quando a economia está a sofrer alta inflação, visando reduzir a procura agregada e, consequentemente, o nível de preços. [carece de fontes]?
Controle da oferta de moeda
O controle da oferta de moeda é realizado pelo banco central de diferentes formas, sendo a compra e venda de obrigações do tesouro nacional, num mercado de caracter aberto (Open market), a mais comum.
Quando o banco central decide reduzir a taxa de juros, a oferta de moeda deve ser aumentada e a operação de mercado utilizada é a compra de obrigações do tesouro nacional. Comprando esses activos dos bancos, o banco central esta, efetivamente, a fornecer moeda à economia, logo, a taxa de juros diminui. Esta prática denomina uma política monetária expansiva.
Logicamente, para aumentar a taxa de juros, a oferta de moeda deve ser reduzida e a operação de mercado utilizada é a venda de obrigações do tesouro nacional. Vendendo esses ativos aos bancos, o banco central está, na verdade, reduzindo a quantidade de moeda na economia aumentando assim a taxa de juros, denominando uma política monetária contracionista.
Teoria Quantitativa da Moeda
A Teoria Quantitativa da Moeda tenta explicar por quais razões as pessoas demandam por moeda.
- Motivo Transacional: (Clássico), para meio de pagamento direto, exemplo: contas a pagar, consumos de bens e serviços anteriormente planejados.
- Motivo Precaucional: (Clássico), para meio de pagamento referente a algum imprevisto de escassez.
- Motivo Especulativo: (Keynes), Keynes aceita os dois motivos clássicos e acrescenta o motivo especulativo, que se traduz pela demanda por moeda a fim especulativo.[carece de fontes]?
Fórmula:
- M.V = P.Y
onde:
- M = Volume de meio de pagamento(a quantidade de moeda DVBC e PMPP);
- Y = Nível de Produção P= Nível de Preço (Inflação/deflação/estabilização);
- V = Velocidade de circulação da moeda (velocidade-renda da moeda).
Esta teoria, desenvolvida pelos economistas chamados "monetaristas", mostra uma relação direta entre volume de moeda em circulação e PIB nominal (lado direito da equação), considerando-se a velocidade do dinheiro constante. Teoricamente, um aumento na quantidade de moeda implica um aumento proporcional no Produto Interno Bruto nominal.
Porém, muitos economistas argumentam que o aumento no PIB nominal se deve unicamente à mudança no nível de preço, já que o nível de produção de um pais em um determinado período de tempo depende exclusivamente da produtividade do pais que é uma função da tecnologia empregada. Neste caso, o PIB real se mantém constante apesar de um aumento no PIB nominal. Em outras palavras, a atividade económica do pais não progrediu, não houve geração de novos empregos e, consequentemente, a inflação acelerou afetando o poder de compra da população.
Política monetária do Banco Central Europeu
Objectivo
O Banco Central Europeu (BCE) tem como principal objectivo controlar o aumento anual do índice harmonizado de preços no consumidor dentro da zona euro, inferior a, mas próximo de, 2%, a médio prazo.
Estratégia política monetária
O BCE controla diretamente as taxas de juro diretoras, esta é a principal estratégia para controlar a inflação na zona euro, incide sobretudo:
- Taxa da facilidade permanente de depósito: taxa de juro paga pelo BCE aos bancos comerciais, pelos depósitos de excedentes de liquidez que estes podem efetuar, junto do BCE.
- Taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez: taxa de juro cobrada pelo BCE aos bancos comerciais, pelos créditos que estes podem obter, junto do BCE.
- Taxa principal de refinanciamento: taxa mínima aplicada às operações de cedência de liquidez, efectuadas através de leilões semanais, por um prazo de duas semanas.
O governo tem por obrigação se impor no mercado monetário para que não haja abusos por parte da minoria que está no poder contra a maioria, que é a massa trabalhadora.
Contextos
Em economia internacional
A política monetária ótima na economia internacional preocupa-se com a questão de como a política monetária deve ser conduzida em economias abertas interdependentes. A visão clássica sustenta que a interdependência macroeconômica internacional só é relevante se afetar os hiatos do produto domésticos e a inflação, e que as prescrições de política monetária podem abstrair da abertura comercial sem prejuízo. Esta visão baseia-se em duas suposições implícitas: uma alta responsividade dos preços de importação à taxa de câmbio, ou seja, a precificação na moeda do produtor (PCP), e mercados financeiros internacionais sem fricções que sustentam a eficiência da alocação de preços flexíveis. A violação ou distorção dessas suposições encontradas em pesquisas empíricas é o tema de uma parte substancial da literatura sobre política monetária ótima internacional. Os impasses (*trade-offs*) de política específicos desta perspectiva internacional são triplos:
Primeiro, as pesquisas sugerem apenas um reflexo fraco dos movimentos da taxa de câmbio nos preços de importação, dando credibilidade à teoria oposta da precificação na moeda local (LCP). A consequência é um afastamento da visão clássica na forma de um impasse entre os hiatos do produto e os desalinhamentos nos preços relativos internacionais, deslocando a política monetária para o controle da inflação do IPC e a estabilização da taxa de câmbio real.
Segundo, outra especificidade da política monetária ótima internacional é a questão das interações estratégicas e desvalorizações competitivas, que se deve a transbordamentos (*spillovers*) transfronteiriços em quantidades e preços. Nela, as autoridades nacionais de diferentes países enfrentam incentivos para manipular os termos de troca para aumentar o bem-estar nacional na ausência de coordenação internacional de políticas. Mesmo que os ganhos da coordenação internacional de políticas possam ser pequenos, tais ganhos tornam-se muito relevantes se ponderados contra os incentivos para a não cooperação internacional.
Terceiro, as economias abertas enfrentam impasses de política se as distorções do mercado de ativos impedirem a alocação eficiente global. Embora a taxa de câmbio real absorva choques em fundamentos atuais e esperados, seu ajuste não resulta necessariamente em uma alocação desejável e pode até exacerbar a má alocação do consumo e do emprego, tanto em nível doméstico quanto global. Isso ocorre porque, em relação ao caso de mercados completos, tanto a curva de Phillips quanto a função de perda incluem uma medida de desequilíbrios entre países relevante para o bem-estar. Consequentemente, isso resulta em metas domésticas, como os hiatos do produto ou a inflação, sendo trocadas pela estabilização de variáveis externas, como os termos de troca ou o hiato da demanda. Assim, a política monetária ótima neste caso consiste em corrigir desequilíbrios de demanda e/ou corrigir preços relativos internacionais ao custo de alguma inflação.
Corsetti, Dedola e Leduc (2011) resumem o status quo da pesquisa sobre prescrições de política monetária internacional: "A política monetária ótima deve, portanto, visar uma combinação de variáveis internas, como o hiato do produto e a inflação, com o desalinhamento cambial e a má alocação da demanda entre países, atuando contra a corrente de taxas de câmbio desalinhadas e desequilíbrios internacionais." Este é o principal fator no status monetário de um país.
Em países em desenvolvimento
Os países em desenvolvimento podem ter dificuldades em estabelecer uma política monetária operacional eficaz. A dificuldade primária é que poucos países em desenvolvimento possuem mercados profundos de dívida pública. A questão é ainda mais complicada pelas dificuldades em prever a demanda por moeda e pela pressão fiscal para cobrar o imposto inflacionário através da rápida expansão da base monetária. Em geral, os bancos centrais de muitos países em desenvolvimento têm registros ruins na gestão da política monetária. Isso ocorre frequentemente porque as autoridades monetárias nesses países, em sua maioria, não são independentes do governo, de modo que uma boa política monetária fica em segundo plano em relação aos desejos políticos do governo ou é usada para perseguir outros objetivos não monetários. Por esta e outras razões, os países em desenvolvimento que desejam estabelecer uma política monetária credível podem instituir um conselho monetário (*currency board*) ou adotar a dolarização. Isso pode evitar a interferência do governo e levar à adoção da política monetária conforme realizada na nação âncora. Tentativas recentes de liberalização e reforma dos mercados financeiros (particularmente a recapitalização de bancos e outras instituições financeiras na Nigéria e em outros lugares) estão gradualmente proporcionando a amplitude necessária para implementar estruturas de política monetária pelos respectivos bancos centrais.
Guerra cambial
O termo é usado por diversos governos e economistas para descrever uma suposta disputa entre países envolvendo as suas moedas. O argumento é de que alguns países estariam “forçando” a desvalorização das suas moedas para beneficiar os seus ganhos com exportação. Os governos têm evitado um confronto directo com a China, mas muitos consideram o país asiático como vilão dessa disputa. Além de ser uma das principais economias do mundo, a China é uma das poucas a manter o regime de câmbio fixo.
