
A ordem coríntia é uma das ordens arquitetônicas clássicas da arquitetura clássica. Desenvolvida na Grécia Antiga durante o período clássico tardio, tornou-se a mais ornamentada das três ordens gregas, ao lado das ordens dórica e jônica. Sua principal característica é o capitel profusamente decorado com folhas de acanto, que se distribuem em torno do núcleo do capitel e são complementadas por pequenas volutas e outros elementos vegetais. A ordem apresenta, em geral, proporções esbeltas e uma ornamentação mais elaborada que as ordens dórica e jônica. Na concepção de John Summerson, as ordens clássicas constituem uma espécie de linguagem arquitetônica, dotada de regras próprias de proporção, composição e ornamentação. A ordem coríntia deve, portanto, ser entendida não apenas como um tipo de capitel, mas como um sistema arquitetônico no qual coluna, capitel e entablamento formam uma composição integrada. Embora o capitel seja seu elemento mais distintivo, a ordem possui também características próprias na relação entre as proporções da coluna e a composição do entablamento.
Os primeiros exemplos conhecidos de capitéis coríntios surgem no final do século V a.C. e no início do século IV a.C., embora sua utilização como uma ordem arquitetônica plenamente desenvolvida tenha ocorrido posteriormente. Um dos primeiros exemplos conhecidos encontra-se no interior do Templo de Apolo Epicúrio, em Bassas, onde um capitel coríntio é empregado no naos do templo. Durante o período helenístico, a ordem teve maior difusão, sendo posteriormente adotada e desenvolvida pelos romanos, que lhe conferiram papel de destaque na arquitetura monumental. O capitel coríntio distingue-se por sua composição vegetal, geralmente organizada em duas ou mais fileiras de folhas de acanto. Entre as folhas elevam-se elementos verticais, conhecidos como caulículos, que sustentam pequenas volutas, enquanto a parte superior é encerrada por um ábaco de lados côncavos. A ornamentação pode variar consideravelmente conforme o período e a região, desde formas relativamente esquemáticas nos exemplos gregos até composições mais naturalistas e elaboradas na arquitetura romana.
Na arquitetura romana, a ordem coríntia adquiriu grande importância e passou a ser empregada em edifícios monumentais, templos, basílicas, termas e outros edifícios públicos. Os arquitetos romanos ampliaram a variedade e a riqueza de seus capitéis, explorando diferentes tratamentos das folhas de acanto e incorporando a ordem a composições arquitetônicas de maior escala. O desenvolvimento romano também contribuiu para a formação da ordem compósita, que combinou elementos do capitel coríntio, especialmente suas folhas de acanto, com as grandes volutas características da ordem jônica. A ordem coríntia tornou-se particularmente importante na tradição arquitetônica romana e, posteriormente, na retomada da arquitetura clássica durante o Renascimento. Tratadistas como Vignola e Andrea Palladio sistematizaram suas proporções e elementos, contribuindo para sua difusão pela arquitetura europeia. A partir do Renascimento, a ordem coríntia passou a integrar, juntamente com as ordens dórica, jônica, toscana e compósita, o sistema das chamadas cinco ordens arquitetônicas, que exerceu influência duradoura sobre a arquitetura classicista, neoclássica e outras tradições derivadas da arquitetura clássica.
Descrição de Vitrúvio

Vitrúvio descreve a ordem Coríntia como inventada por Calímaco, um arquiteto e escultor ateniense que se inspirou em um cesto de acantos. Nas palavras de Vitruvius, em seu Livro 4, Da Arquitetura:
“Por seu turno, o terceiro, que é chamado coríntio, procura reproduzir a delicadeza virginal, pois as donzelas, em razão da tenra idade, formadas por membros mais graciosos, produzem com seus adereços efeitos mais agradáveis. (...) Uma virgem de Corinto, mal chegada à idade núbil, acometida por uma enfermidade, faleceu. Após seu sepultamento, sua ama reuniu e dispôs num cesto as poucas coisas às quais ela se afeiçoara enquanto vivera. Levou-as a seu túmulo e as colocou sobre ele, e, para que elas se conservassem dia após dia, teceu por cima delas um pequeno teto. O cesto havia sido colocado casualmente sobre raízes de acanto, e, nesse ínterim, premidas por seu peso, verteram na primavera, folhagens e hastes em profusão. As hastes do acanto, crescendo ao longo das bordas do cesto e empurradas pela beira do teto, em razão do seu empuxo, foram forçadas acurvar suas extremidades. Calímaco, então, que em virtude da elegância e da graça de sua arte de trabalhar o mármore foi denominado pelos atenienses o príncipe dos artífices, passando perto desse monumento, reparou no cesto e na delicadeza da folhagem que medrava ao redor, e, encantado com a novidade das formas produzidas, executou para os coríntios colunas segundo esse modelo e instituiu suas proporções, e atribuiu as relações da ordem coríntia a partir daquilo que está presente na perfeição de suas obras”.
— Vitrúvio
Características
Sendo assim o formato do capitel coríntio sugere folhas de acanto e quatro espirais simétricas e foi usado para substituir o capitel jônico como uma variante luxuosa desta ordem. Suas principais características:
- Acantos estilizados, com pontas curvadas para fora, com 4 volutas menores nos cantos;
- Um fuste mais delgado do que o da ordem jônica;
- Mais esguia: com altura igual a até 11 vezes o diâmetro.
- O entablamento e o frontão, ricamente adornados com relíquias;
- Precisão de detalhes que visava a expressão de luxo e poder.
Principais templos e monumentos


O mais antigo exemplo da coluna coríntia é o Templo de Apolo Epicúrio em Bassas na Arcádia, 450–420 AC. Não é parte da ordem do templo, que possui uma colunata Dórica que o contorna. Uma única coluna Coríntia localiza-se centrada no interior do templo.
Poucos exemplos de colunas coríntias na Grécia durante o século seguinte são todos utilizados todos no interior dos templos. Um exemplo famoso e o primeiro documentado sobre o uso da ordem coríntia no exterior da estrutura é o circular Monumento Corégico de Lisícrates, construído em 334 AC.
Outro exemplo do uso da ordem, bastante conhecido, é o Templo de Zeus Olímpico, em Atenas.
Apesar da origem grega, a ordem Coríntia foi raramente utilizada na Arquitetura grega, sendo mais utilizada pela Arquitetura romana.
Galeria

![Grego antigo, colunas coríntias no Templo de Apolo em Bassas, Bassas, Grécia, ilustração de Charles Robert Cockerell, arquiteto desconhecido, c. 429–400 AC[12]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5b/Temple_of_Apollo_Epikourios%2C_Bassae%2C_details_of_a_Corinthian_isolated_column_in_the_interior.webp/960px-Temple_of_Apollo_Epikourios%2C_Bassae%2C_details_of_a_Corinthian_isolated_column_in_the_interior.webp)

![Templo de Zeus Olímpico, cuja construção começou em 515 a.C., mas só foi concluída na época romana, sob o imperador Adriano, em 131 a.C. Este imperador romano era um admirador da arte grega, mas também de jovens efebos como Antínoo. Ao fundo, vemos a encosta sul da Acrópole e o Partenon, em Atenas, 174 a.C.–c. 130 d.C.[13]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/L%27Olympieion_%28Ath%C3%A8nes%29_%2830776483926%29.jpg/960px-L%27Olympieion_%28Ath%C3%A8nes%29_%2830776483926%29.jpg)







