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Grande Prêmio de Mônaco de 1980

Grande Prêmio de Mônaco de 1980

Resumo do Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 realizado em Monte Carlo em 18 de maio de 1980. Sexta etapa do campeonato, foi vencido pelo argentino Carlos Reutemann, da Williams-Ford, com Jacques Laffite em segundo pela Ligier-Ford e Nelson Piquet em terceiro pela Brabham-Ford.

Resumo

Temores fundamentados

Se existe um substantivo capaz de descrever a Fórmula 1 é "barulho", mas os estrondos que ecoaram em Montecarlo tinham outra origem: dadas as características da pista monegasca, os pilotos temiam pela sua segurança num treino a ser realizado com vinte e sete carros (o Grande Prêmio de Mônaco de 1979 contou com vinte participantes), razão pela qual ensaiaram um motim sob o estímulo do campeão mundial Jody Scheckter, mas a sublevação durou apenas quinze minutos, pois ao sentir "cheiro de queimado" Colin Chapman, dirigente-maior da Lotus, ameaçou trocar Mario Andretti por Nigel Mansell caso o norte-americano aderisse ao movimento grevista enquanto na Tyrrell o francês Jean-Pierre Jarier declarou, sem meias-palavras: "Vou ter que pilotar, senão Ken Tyrrell cancela meu contrato e ponto final". Embora o regulamento da prova liberasse apenas 24 carros para correr em Mônaco este número foi acrescido in terminis, razão pela qual os corredores sentiam-se abandonados em suas reivindicações por maior segurança nas pistas dada a pressão dos chefes de equipe, patrocinadores e dirigentes como Jean-Marie Balestre, da FISA, e Bernie Ecclestone, da FOCA, que silenciaram a respeito dos pedidos por mais segurança na Fórmula 1.

Em meio ao alarido nos boxes de Montecarlo pouco repercutiu o feito de Didier Pironi, dono do melhor tempo da quinta-feira em pista molhada com sua Ligier. No dia seguinte o francês lutou arduamente contra o argentino Carlos Reutemann, da Williams, pelo direito de largar em primeiro numa refrega onde Pironi deixou Reutemann em segundo e conquistou a primeira pole position de sua carreira. Na próxima fila estavam Alan Jones, o outro piloto da Williams, e Nelson Piquet, da Brabham, contudo chamou a atenção de todos o fato de Jody Scheckter e Emerson Fittipaldi dividirem a nona fila com Mario Andretti e René Arnoux vindo a seguir, na última fila. Aliás, ver Jean-Pierre Jaboille em décimo sexto e René Arnoux em vigésimo demonstra de forma cabal a ineficiência dos Renault turbo na pista de Mônaco, essencialmente cheia de curvas e com retas diminutas, um veneno para o motor francês.

"O importante para mim é terminar esta corrida entre os seis primeiros. Aqui é quase impossível ultrapassar, por isso vou pular na largada e aproveitar a parte mais ampla da pista, logo na St. Devote", vaticinou Nelson Piquet sobre a tática ideal para o domingo.

Strike de Derek Daly

Mesmo com o grid restrito a vinte carros esperava-se uma largada sem incidentes, contudo essa vã esperança dissipou-se logo nos primeiros metros da prova quando a Tyrrell de Derek Daly acertou a Alfa Romeo de Bruno Giacomelli e nisso o carro de Daly voou sobre o grid e caiu entre Alain Prost, da McLaren, e Jean-Pierre Jarier, companheiro do irlandês na Tyrrell, eliminando os quatro da prova. Assustado com a cena, Gilles Villeneuve fugiu pela área de escape enquanto a Arrows de Riccardo Patrese e a ATS de Jan Lammers foram impedidas de seguir adiante por alguns momentos até a liberação da pista sem pilotos feridos ou o cancelamento da largada. "A culpa foi minha. Bati na traseira do carro de Giacomelli e comecei a derrapar. Não vi mais nada", declarou Daly à imprensa. Com a autoridade de quem saiu ileso do incidente, Alain Prost emendou: "Não vi nada, exceto o carro de Daly voando por cima de mim. A solução foi acelerar, já que não podia frear. Dei muita sorte, pois poderia ser atingido".

Vitória de Carlos Reutemann

Fazendo valer a primeira pole de sua carreira, Didier Pironi manteve a liderança à frente de um grupo formado por Alan Jones, Carlos Reutemann, Jacques Laffite, Patrick Depailler e Nelson Piquet. Por 24 voltas tal ordem manteve-se inalterada graças às ruas apertadas de Montecarlo, o que impediu também uma ultrapassagem de Jones sobre Pironi, não importando o quanto o australiano se esforçasse, porém a quebra do diferencial da Williams deu certa folga a Pironi, três segundos adiante de Reutemann, o novo vice-líder, enquanto Elio de Angelis ascendia ao sexto lugar com sua Lotus. Modorrento, o Grande Prêmio de Mônaco transcorria sem mudanças bruscas até a quinquagésima volta quando virou fumaça o motor da Alfa Romeo de Patrick Depailler. A essa altura Elio de Angelis estava fora da zona de pontuação há algum tempo ao ser superado por Mario Andretti e Jochen Mass à medida que Pironi, Reutemann e Laffite pareciam garantidos no pódio e Nelson Piquet estava em quarto lugar.

Máquinas e pilotos pareciam incapazes de mudar o curso dos acontecimentos então um novo fator entrou em cena: na quinquagésima quarta volta a chuva caiu com maior intensidade sobre a capital monegasca, especialmente na Curva do Cassino. Naquele instante houve quem pensasse numa troca de pneus, mas tal hipótese esvaiu-se graças à não interrupção da corrida. Sob intenso aguaceiro, Pironi rodou na curva em questão, danificou sua roda dianteira esquerda ao bater no guard rail e parou na descida da Mirabeau. Pouco antes disso, René Arnoux também foi vítima da água tão logo sua Renault cruzou uma chicane abandonando seu quarto Grande Prêmio em seis disputados até este momento.

Informado pelos boxes da Williams que era o líder da prova, Carlos Reutemann valeu-se da experiência para guiar com pneus slicks desgastados em pista molhada favorecido também pela vantagem de mais de um minuto sobre Jacques Laffite com Nelson Piquet em terceiro e Jochen Mass em quarto. Destoando do cortejo à sua frente, o canadense Gilles Villeneuve trocou os pneus, extraiu o máximo de seu motor flat de 12 cilindros e assumiu os riscos de uma condução agressiva ultrapassando René Arnoux, Riccardo Patrese e Emerson Fittipaldi alcançando o sétimo lugar. Quando Mario Andretti recorreu a um pit stop, Villeneuve atingiu a zona de pontuação, ganhando mais um degrau com o acidente de Elio de Angelis. Em sentido inverso, Carlos Reutemann redobrou os cuidados e venceu o Grande Prêmio de Mônaco ao final de quase duas horas de corrida em seu primeiro triunfo pela Williams, bem como assinalou o primeiro êxito da Argentina no Principado desde Juan Manuel Fangio em 1957. No pódio também estavam Jacques Laffite e Nelson Piquet com Jochen Mass, Gilles Villeneuve e Emerson Fittipaldi completando a zona de pontuação, o brasileiro, aliás, marcou o último ponto de sua carreira.

Sem vencer desde o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1978, quando corria pela Ferrari, Carlos Reutemann subiu para o quinto lugar no campeonato com 15 pontos, entretanto a liderança estava nas mãos de Nelson Piquet com 22 pontos, sendo que René Arnoux (21 pontos), Alan Jones (19 pontos) e Didier Pironi (17 pontos) saíram zerados da etapa monegasca. Para o brasileiro, a liderança isolada da competição advém de uma estratégia anterior à prova e executada com mestria. Quanto ao mundial de construtores tivemos em Mônaco um pódio formado por Williams (34 pontos), Ligier (29 pontos) e Brabham (22 pontos), mesma ordem das escuderias no respectivo certame.

Grande Prêmio da Espanha

Fixado como a sétima etapa do campeonato mundial de Fórmula 1, o Grande Prêmio da Espanha de 1980 aconteceu em Jarama no dia 1º de julho e foi vencido por Alan Jones, contudo uma queda de braço entre a FISA e a FOCA pelo controle político e econômico da categoria, estabeleceu a cizânia: alinhadas a Jean-Marie Balestre, Ferrari, Renault e Alfa Romeo chegaram a treinar na quinta-feira (29 de maio), mas quando a Guarda Civil Espanhola adentrou o circuito e expulsou os inspetores da FISA, tais equipes abandonaram a competição. Em sentido inverso, os partidários de Bernie Ecclestone, presidente da Associação dos Construtores da Fórmula 1, aceitaram correr sob a tutela do Real Automóvel Clube da Espanha (RACE) numa prova vencida por Alan Jones, da Williams. Em 2 de junho o comitê executivo da Federação Internacional do Automóvel não homologou o resultado da etapa espanhola devido à falta de certificação pela FISA, mesmo que fosse através da Federação Espanhola de Automobilismo.

Classificação

Treinos

Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Dif.
1 25 Didier Pironi Ligier-Ford 1:24.813 -
2 28 Carlos Reutemann Williams-Ford 1:24.882 + 0.069
3 27 Alan Jones Williams-Ford 1:25.202 + 1.019
4 5 Nelson Piquet Brabham-Ford 1:25.358 + 1.175
5 26 Jacques Laffite Ligier-Ford 1:25.510 + 1.327
6 2 Gilles Villeneuve Ferrari 1:26.104 + 1.921
7 22 Patrick Depailler Alfa Romeo 1:26.210 + 2.027
8 23 Bruno Giacomelli Alfa Romeo 1:26.227 + 2.044
9 3 Jean-Pierre Jarier Tyrrell-Ford 1:26.369 + 2.186
10 8 Alain Prost McLaren-Ford 1:26.826 + 2.643
11 29 Riccardo Patrese Arrows-Ford 1:26.828 + 2.645
12 4 Derek Daly Tyrrell-Ford 1:26.838 + 2.655
13 10 Jan Lammers ATS-Ford 1:26.883 + 2.700
14 12 Elio de Angelis Lotus-Ford 1:26.930 + 2.747
15 30 Jochen Mass Arrows-Ford 1:26.956 + 2.773
16 15 Jean-Pierre Jabouille Renault 1:27.099 + 2.916
17 1 Jody Scheckter Ferrari 1:27.182 + 2.999
18 20 Emerson Fittipaldi Fittipaldi-Ford 1:27.495 + 3.312
19 11 Mario Andretti Lotus-Ford 1:27.514 + 3.331
20 16 René Arnoux Renault 1:27.524 + 3.341
21 7 John Watson McLaren-Ford 1:27.731 + 3.548
22 31 Eddie Cheever Osella-Ford 1:27.808 + 3.625
23 17 Geoff Lees Shadow-Ford 1:27.842 + 3.659
24 21 Keke Rosberg Fittipaldi-Ford 1:28.381 + 4.198
25 6 Ricardo Zunino Brabham-Ford 1:28.384 + 4.201
26 14 Tiff Needell Ensign-Ford 1:29.188 + 5.005
27 18 David Kennedy Shadow-Ford 1:39.986 + 15.803
Fontes:

Corrida

Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos
1 28 Carlos Reutemann Williams-Ford 76 1:55:34.365 2 9
2 26 Jacques Laffite Ligier-Ford 76 + 1:13.629 5 6
3 5 Nelson Piquet Brabham-Ford 76 + 1:17.726 4 4
4 30 Jochen Mass Arrows-Ford 75 + 1 volta 15 3
5 2 Gilles Villeneuve Ferrari 75 + 1 volta 6 2
6 20 Emerson Fittipaldi Fittipaldi-Ford 74 + 2 voltas 18 1
7 11 Mario Andretti Lotus-Ford 73 + 3 voltas 19
8 29 Riccardo Patrese Arrows-Ford 73 + 3 voltas 11
9 12 Elio de Angelis Lotus-Ford 68 Acidente 14
NC 9 Jan Lammers ATS-Ford 64 Não classificado 13
Ret 25 Didier Pironi Ligier-Ford 54 Acidente 1
Ret 16 René Arnoux Renault 53 Acidente 20
Ret 22 Patrick Depailler Alfa Romeo 50 Motor 7
Ret 1 Jody Scheckter Ferrari 27 Handling 17
Ret 15 Jean-Pierre Jabouille Renault 25 Câmbio 16
Ret 27 Alan Jones Williams-Ford 24 Diferencial 3
Ret 23 Bruno Giacomelli Alfa Romeo 0 Acidente 8
Ret 3 Jean-Pierre Jarier Tyrrell-Ford 0 Acidente 9
Ret 8 Alain Prost McLaren-Ford 0 Acidente 10
Ret 4 Derek Daly Tyrrell-Ford 0 Acidente 12
DNQ 7 John Watson McLaren-Ford
DNQ 31 Eddie Cheever Osella-Ford
DNQ 17 Geoff Lees Shadow-Ford
DNQ 21 Keke Rosberg Fittipaldi-Ford
DNQ 6 Ricardo Zunino Brabham-Ford
DNQ 14 Tiff Needell Ensign-Ford
DNQ 18 David Kennedy Shadow-Ford
Fontes:

Tabela do campeonato após a corrida

Classificação do mundial de pilotos
Pos. Pilotos Pontos
1 Nelson Piquet 22
2 René Arnoux 21
3 Alan Jones 19
4 Didier Pironi 17
5 Carlos Reutemann 15
Fontes:

Classificação do mundial de construtores
Pos. Construtor Pontos
1 Williams-Ford 34
2 Ligier-Ford 29
3 Brabham-Ford 22
4 Renault 21
5 Arrows-Ford 11
Fontes:

  • Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas. As quatorze etapas de 1980 foram divididas em dois blocos de sete e neles cada piloto podia computar cinco resultados válidos não havendo descartes no mundial de construtores.

Notas

Referências

Precedido por
Grande Prêmio da Bélgica de 1980
FIA Campeonato Mundial de Fórmula 1
Ano de 1980
Sucedido por
Grande Prêmio da França de 1980
Precedido por
Grande Prêmio de Mônaco de 1979
Grande Prêmio de Mônaco
38ª edição
Sucedido por
Grande Prêmio de Mônaco de 1981

Ler a seguir

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