factograf
PT

Grande Prêmio da África do Sul de 1982

Grande Prêmio da África do Sul de 1982

Resumo do Grande Prêmio da África do Sul de Fórmula 1 realizado em Kyalami em 23 de janeiro de 1982. Primeira etapa do campeonato, foi a última vez que uma prova da categoria aconteceu no primeiro mês do ano. A vitória coube ao francês Alain Prost, da Renault. Em segundo lugar chegou Carlos Reutemann, da Williams-Ford, (no último pódio argentino até os dias atuais, marca ainda vigente em 2026) enquanto René Arnoux, também da Renault, chegou em terceiro.

Resumo

O retorno de Niki Lauda

Esta prova marcou o retorno da categoria ao continente africano após a exclusão da edição anterior do campeonato de 1981 por conta da guerra entre a Federação Internacional de Automobilismo Esportivo (FISA) e a Associação dos Construtores da Fórmula 1 (FOCA) pelo controle da categoria. Não obstante o passado rumoroso, a abertura da temporada de 1982 esteve sob ameaça quando Jean-Marie Balestre coagiu os pilotos a assinarem um novo e desvantajoso contrato relativo à outorga da superlicença, manobra que tensionou o ambiente e fomentou uma greve de pilotos sob a liderança de Didier Pironi, presidente da Grand Prix Drivers' Association, e de Niki Lauda, bicampeão mundial que retomou sua carreira após abandonar as pistas nos treinos oficiais para o Grande Prêmio do Canadá de 1979.

Balestre e os grevistas

Na quarta-feira anterior à corrida sul-africana os pilotos de Fórmula 1 foram instados a assinar um novo contrato acerca da superlicença, documento que os habilita a participar do campeonato, porém o que seria apenas uma formalidade ganhou contornos abusivos quando os signatários perceberam o conteúdo leonino de algumas cláusulas, a saber: organizadores, equipes e autoridades ligadas ao automobilismo estariam livres de quaisquer responsabilidade em caso de acidentes, proibição da rescisão contratual e cassação da superlicença mediante críticas às todo-poderosas FISA e FOCA. Aturdidos, os pilotos ouviram de Jean-Marie Balestre que os termos não mudariam. Criado o impasse, eles embarcaram num ônibus rumo ao Sunnyside Hotel, a 30Km de Kyalami, e lá foram entretidos por brincadeiras de Gilles Villeneuve e também por apresentações de Elio de Angelis ao piano. Em determinado momento cogitou-se substituir os corredores rebeldes por outros favoráveis aos termos de Balestre e mesmo adiar o evento para 30 de janeiro, mas a enrascada cessou apenas quando a FISA garantiu que não puniria os amotinados e adiou a discussão sobre as cláusulas da cizânia, aliás redigidas por Max Mosley, assistente de Bernie Ecclestone.

De volta à pista, os carros turbocomprimidos conquistaram a seis melhores posições no grid com René Arnoux à frente de Nelson Piquet. No dia seguinte, Arnoux ponteou por treze voltas até que Alain Prost, seu companheiro na Renault, tomou-lhe o primeiro lugar. A essa altura o brasileiro Nelson Piquet, décimo colocado após uma largada ruim, já abandonara a prova ao bater sua Brabham num guard rail na terceira volta e para facilitar ainda mais a vida dos franceses, a Ferrari viu estourar o motor de Gilles Villeneuve e Didier Pironi foi obrigado a trocar pneus caindo do terceiro para o décimo primeiro lugar, embora tenha ascendido ao segundo posto antes de abandonar a seis voltas do fim. Na volta 41 Arnoux voltou a liderar quando Prost teve um pneu furado, mas após uma recuperação meritória derrotou seu colega de equipe no sexagésimo quarto giro quando reassumiu a dianteira para não mais perdê-la. Vencedor da etapa inaugural, Alain Prost assumiu pela primeira vez a liderança do mundial de Fórmula 1 tendo ao seu lado Carlos Reutemann, da Williams, naquele que seria o último pódio argentino na história, com René Arnoux em terceiro vindo a seguir o quarto lugar de Niki Lauda, o quinto de Keke Rosberg e o sexto de John Watson.

Enquanto os pilotos celebravam seus resultados uma atitude traiçoeira de Jean-Marie Balestre cassou a licença dos pilotos grevistas por conta da insurreição de quinta-feira por conta dos prejuízos causados à imagem da Fórmula 1 e aos organizadores da prova, além de estipular uma multa entre cinco e dez mil dólares aos vinte e nove grevistas e a possibilidade de suspendê-los de duas a cinco corridas nos próximos dois anos caso voltem a apoiar um novo boicote. O ambiente conflituoso e a inexistência de garantias financeiras levou ao cancelamento do Grande Prêmio da Argentina marcado para 7 de março.

Transmissão para o Brasil

Esta edição do Grande Prêmio da África do Sul marcou a estreia de Galvão Bueno como narrador da Fórmula 1 pela Rede Globo. Também na corrida sul-africana, ele iniciou a parceria com o comentarista Reginaldo Leme, algo que durou, salvo algumas mudanças de escala, até a despedida de Leme no Grande Prêmio do Brasil de 2019, pois na corrida seguinte, o Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2019, Bueno encerrou sua participação como narrador de Fórmula 1, afinal, no ano seguinte, o mesmo foi afastado das transmissões por integrar o grupo de risco da Pandemia de COVID-19. Entre 2021 e 2025, a categoria foi ao ar pela Rede Bandeirantes e dentre seus contratados estava Reginaldo Leme.

Classificação da prova

Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos
1 15 Alain Prost Renault 77 1:32:08.401 5 9
2 5 Carlos Reutemann Williams-Ford 77 + 14.946 8 6
3 16 René Arnoux Renault 77 + 27.900 1 4
4 8 Niki Lauda McLaren-Ford 77 + 32.113 13 3
5 6 Keke Rosberg Williams-Ford 77 + 43.139 7 2
6 7 John Watson McLaren-Ford 77 + 50.993 9 1
7 3 Michele Alboreto Tyrrell-Ford 76 + 1 volta 10
8 11 Elio de Angelis Lotus-Ford 76 + 1 volta 15
9 10 Eliseo Salazar ATS-Ford 75 + 2 voltas 12
10 9 Manfred Winkelhock ATS-Ford 75 + 2 voltas 20
11 23 Bruno Giacomelli Alfa Romeo 74 + 3 voltas 19
12 17 Jochen Mass March-Ford 74 + 3 voltas 22
13 22 Andrea de Cesaris Alfa Romeo 73 + 4 voltas 16
14 33 Derek Daly Theodore-Ford 73 + 4 voltas 24
15 18 Raul Boesel March-Ford 72 + 5 voltas 21
16 4 Slim Borgudd Tyrrell-Ford 72 + 5 voltas 23
17 20 Chico Serra Fittipaldi-Ford 72 + 5 voltas 25
18 28 Didier Pironi Ferrari 71 + 6 voltas 6
Ret 26 Jacques Laffite Ligier-Matra 54 Sistema de combustível 11
Ret 35 Derek Warwick Toleman-Hart 43 Acidente 14
Ret 2 Riccardo Patrese Brabham-BMW 18 Turbo 4
Ret 25 Eddie Cheever Ligier-Matra 11 Sistema de combustível 17
Ret 27 Gilles Villeneuve Ferrari 6 Turbo 3
Ret 1 Nelson Piquet Brabham-BMW 3 Acidente 2
Ret 12 Nigel Mansell Lotus-Ford 0 Pane elétrica 18
Ret 31 Jean-Pierre Jarier Osella-Ford 0 Colisão 26
DNQ 30 Mauro Baldi Arrows-Ford
DNQ 32 Riccardo Paletti Osella-Ford
DNQ 29 Brian Henton Arrows-Ford
DNQ 36 Teo Fabi Toleman-Hart
DNQ 14 Roberto Guerrero Ensign-Ford
Fontes:

Tabela do campeonato após a corrida

Classificação do mundial de pilotos
Var. Pos. Piloto Pontos
0 1 Alain Prost 9
0 2 Carlos Reutemann 6
0 3 René Arnoux 4
0 4 Nikki Lauda 3
0 5 Keke Rosberg 2
Fontes:

Classificação do mundial de construtores
Var. Pos. Construtor Pontos
0 1 Renault 13
0 2 Williams-Ford 8
0 3 McLaren-Ford 4
Fontes:

  • Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas. Entre 1981 e 1990 cada piloto podia computar onze resultados válidos por temporada não havendo descartes no mundial de construtores.

Notas

Referências

Precedido por
Grande Prêmio de Caesars Palace de 1981
FIA Campeonato Mundial de Fórmula 1
Ano de 1982
Sucedido por
Grande Prêmio do Brasil de 1982
Precedido por
Grande Prêmio da África do Sul de 1981
Grande Prêmio da África do Sul
28ª edição
Sucedido por
Grande Prêmio da África do Sul de 1983

Ler a seguir

Em 22 idiomas

Texto da Wikipédia, CC BY-SA 4.0 · Artigo de origem