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Ebenezer Scrooge

Ebenezer Scrooge

O essencial

instância deser humano ficcional, personagem, personagem de filmes
ocupaçãocontabilista, banqueiro
intérpreteJohnny Depp

Ebenezer Scrooge é um personagem principal da história Um Conto de Natal (1843), de Charles Dickens. O personagem mais tarde serviria como inspiração para Carl Barks criar o Tio Patinhas. No início da história Scrooge apresenta uma frieza desmedida no coração, além de ser ganancioso e avarento. Indiferente com o natal e tudo o que condiciona felicidade, Ebenezer Scrooge é descrito por Charles Dickens como tendo lábios azuis e nariz pontiagudo, perfeitamente retratado em Os Fantasmas de Scrooge, filme concretizado em 2009, onde Jim Carrey interpreta a personagem.

Biografia

Ebenezer Scrooge nasceu em uma cidade camponesa na Inglaterra, em 7 de fevereiro de 1786. Na infância, lidou com diversos problemas, como a morte da mãe e o abandono pelo pai em sua velha escola, formando sua personalidade egoísta e intolerante.

Numa véspera de Natal, é levado para casa por sua irmã, Fan, e seu pai, Silas, que diz que o jovem Ebenezer irá trabalhar na Fábrica de Fezziwig.

Na véspera do natal da época que trabalhava para o Sr. Fezziwig, durante uma grande comemoração natalina, Scrooge conhece uma jovem moça chamada Isabelle (ou Belle) e ambos se apaixonam.

Entretanto, conforme Ebenezer obtia mais lucro, ia cada vez menos se importando com sua amada, culminando na separação dele e de Belle. Nesta mesma época Jacob Marley, patrão de Scrooge, morre em 1836, deixando sozinho Ebenezer para cuidar dos negócios.

A história

Scrooge, o heroi principal da novela, após a morte do seu sócio Jacob Marley, ainda trabalha na empresa “Scrooge & Marley” sem alterar o nome. Sete anos mais tarde, na noite da Véspera de Natal, Scrooge, enquanto trabalha no escritório, despacha o seu sobrinho, que veio convidar o tio para a ceia. Ebenezer é um homem muito opulento, mas não contribui para as doações dos voluntários que lhe solicitam dinheiro para os pobres e indigentes. Scrooge diz ao seu assistente que não fornece dinheiro para festejos públicos e como sempre não é gentil com ele.

Depois de ir para casa, o nosso herói observa algo insólito - o seu sócio falecido, Jacob Marley, surge no meio do quarto, aprisionado sob portentosas correntes. O fantasma fala-lhe sobre o castigo que agora o marginaliza pela sua avareza que apresentou em vida e adverte Scrooge de que lhe está reservado um destino terrível caso não altere o seu comportamento avarento e indigno. O defunto avisa Scrooge que naquela noite ele será visitado por mais três fantasmas - que tentarão modificar o espírito do velho forreta. Uma hora mais tarde surge o primeiro – um fantasma do passado que lhe fornece lembranças da cidade da sua infância, a Noite de Natal gloriosa com a sua irmã, bons tempos com amigos, e finalmente a separação da sua noiva, que o deixou por causa do seu amor ao dinheiro. O segundo proporciona-lhe uma visão da Noite de Natal do presente: pobres, mas felizes nas casa dos seus empregados. Lá Scrooge vislumbra Tim, o filho doente do seu trabalhador subjugado por ele. O fantasma informa-o de que em breve Tim morrerá. O último fantasma é o do futuro – visitam a casa do empregado depois do enterro do pequeno Tim. Por fim ele observa a sua própria morte, muito humilhante, sozinho e detestado. Ele desperta na manhã de Natal e decide não desperdiçar este Natal. Scrooge acaba por modificar toda a sua vida.

O sobrenome "Scrooge"

O sobrenome da personagem é um sinônimo de avareza (característica evidente em Ebenézer).

Conto de Natal (resumo)

Origens

Várias teorias foram apresentadas sobre onde Dickens obteve inspiração para o personagem.

Ebenezer Lennox Scroggie (1792–1836) foi supostamente um comerciante de Edimburgo que ganhou um contrato de fornecimento de alimentos para a visita do rei George IV à Escócia. Ele foi enterrado em Canongate Kirkyard, com uma lápide que agora está perdida. A teoria é que Dickens notou a lápide que descrevia Scroggie como sendo um "homem da farinha (meal man)" (comerciante de grãos), mas a interpretou mal como "homem mau". Esta teoria foi descrita como "uma provável farsa de Dickens" para a qual "ninguém conseguiu encontrar qualquer evidência que corrobore isso". Não há registro de ninguém chamado Scroggie nos resultados do censo de Edimburgo do período. Jemmy Wood, proprietário do Gloucester Old Bank e possivelmente o primeiro milionário da Grã-Bretanha, era conhecido nacionalmente por sua mesquinhez e pode ter sido outro modelo para Scrooge. O homem que Dickens eventualmente menciona em suas cartas e que se parece muito com o personagem retratado pelo ilustrador de Dickens, John Leech, era um notável excêntrico e avarento britânico chamado John Elwes (1714-1789). Outra inspiração sugerida para o personagem Scrooge é Daniel Dancer, que Dickens menciona, junto com Elwes, em Our Mutual Friend.

Foi sugerido que ele escolheu o nome Ebenezer ("pedra (de) ajuda") para refletir a ajuda dada a Scrooge para mudar sua vida. Os comentaristas sugeriram que o sobrenome foi parcialmente inspirado na palavra "scrouge", que significa "multidão" ou "aperto". A palavra estava em uso desde 1820.

Kelly escreve que Scrooge pode ter sido influenciado pelos sentimentos conflitantes de Dickens por seu pai, a quem ele amava e demonizava. Esse conflito psicológico pode ser responsável pelos dois Scrooges radicalmente diferentes da história - um recluso frio e mesquinho, o outro, um homem benevolente e amoroso. Robert Douglas-Fairhurst, professor de literatura inglesa, considera que na parte inicial do livro retratando a infância solitária e infeliz do jovem Scrooge, e sua aspiração de passar da pobreza à riqueza "é uma espécie de autoparódia dos medos de Dickens sobre si mesmo"; as partes pós-transformação do livro mostram como Dickens se vê com otimismo.

Uma linha de pensamento sugere que Dickens baseou as visões de Scrooge sobre os pobres naquelas do economista político e demógrafo Thomas Malthus, como evidenciado pela sua atitude insensível com a "população excedentária". "E os asilos do Sindicato?... A esteira e a Lei dos Pobres estão em pleno vigor, então?" são o reflexo de uma questão sarcástica levantada pelo filósofo reacionário Thomas Carlyle: "Não existem esteiras, forcas; até mesmo hospitais, taxas de pobreza, Nova Lei dos Pobres?"

Existem precursores literários de Scrooge nas próprias obras de Dickens. Peter Ackroyd, biógrafo de Dickens, vê semelhanças entre Scrooge e o personagem-título de Martin Chuzzlewit, embora o último seja "uma imagem mais fantástica" do que o primeiro; Ackroyd observa que a transformação de Chuzzlewit em um homem de caridade é paralela à de Scrooge. Douglas-Fairhurst vê que o personagem secundário Gabriel Grub de The Pickwick Papers também foi uma influência na criação de Scrooge.

Análise

O personagem de Scrooge, especialmente como ele muda ao longo de A Christmas Carol, tem sido objeto de diversas análises.

Em outras mídias

  • O personagem Tio Patinhas, criado por Carl Barks, foi pelo menos parcialmente baseado em Ebenezer Scrooge: "Comecei a pensar na grande história de Natal de Dickens sobre Tio Patinhas... Eu era apenas ladrão o suficiente para roubar um pouco da ideia e ter um tio rico para Donald."

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