Computer Associates International, Inc., depois CA, Inc. e CA Technologies, Inc., foi uma multinacional estadunidense que desenvolvia e comercializava software empresarial e funcionou de 1976 a 2018. A CA cresceu até se tornar uma das maiores empresas independentes de software do mundo, chegando a ocupar o segundo lugar. Criava software de sistema e, por algum tempo, aplicativos para mainframes da IBM, ambientes de computação distribuída, máquinas virtuais e computação em nuvem.
Seu principal fundador foi Charles Wang. O rápido crescimento da Computer Associates se deu sobretudo pela compra de empresas menores de software para mainframes da IBM. A CA fazia demissões em massa nas empresas adquiridas e, por vezes, explorava a receita dos produtos comprados sem investir em melhorias. Seus clientes reclamavam com frequência da baixa qualidade do suporte técnico e da postura hostil da empresa. No início dos anos 2000, a CA se envolveu em um escândalo contábil que levou ex-executivos à prisão. Na década de 2010, porém, recebeu boas avaliações de organizações do setor em responsabilidade empresarial e outras premiações.
A Computer Associates teve suas origens em Zurique e Genebra, na Suíça, e em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Durante a maior parte de sua existência, teve sede em Long Island. Primeiro se instalou em Jericho e Garden City, no condado de Nassau, e depois passou duas décadas em Islandia, no condado de Suffolk, antes de voltar a Manhattan em 2014. Em 2018, a fabricante de semicondutores Broadcom comprou a empresa por quase US$ 19 bilhões.
História











Origens
A Computer Associates International nasceu de uma empresa suíça de software e de uma empresa de serviços de processamento de dados de Nova Iorque.
O texano Samuel W. Goodner trabalhava na University Computing Company, a UCC, do empresário estadunidense Sam Wyly. A UCC havia comprado a empresa suíça de serviços de informática Automation Center A.G., fundada pelo empresário Walter Haefner, e Wyly enviou Goodner à Europa para supervisioná-la. Em 1970, a UCC enfrentava dificuldades financeiras. Goodner, que admirava parte dos métodos de gestão de Haefner, decidiu sair e abrir uma empresa de desenvolvimento de software. Fundou a Computer Associates A.G. naquele ano, em Zurique, na Suíça.
Em 1969, sob pressão dos órgãos reguladores, a IBM havia anunciado que passaria a vender seu hardware separadamente do software e dos serviços de suporte, desvinculando, por exemplo, a venda dos mainframes da dos programas de computador. A decisão abriu novos mercados à concorrência e deu aos empreendedores a oportunidade de entrar na nascente indústria de software. Goodner procurou aproveitar essa abertura para desenvolver e vender programas para mainframes da IBM.
A recém-criada Computer Associates tinha pouco capital, mas contava com a farmacêutica suíça Hoffmann–La Roche entre seus clientes e havia desenvolvido para ela um programa de ordenação de dados. O programa era mais eficiente e, a partir de 1971, a Computer Associates passou a vendê-lo na Europa como CA-SORT, um substituto direto do IBM Sort nos mainframes System/360 e System/370 da IBM. Para vender fora da Suíça, a empresa criou uma holding e firmou contratos com distribuidores em outros países europeus. Alguns desses distribuidores foram depois comprados pela Computer Associates. Em 1971, a Computer Associates International SA tinha sede em Genebra, onde permaneceu pelo restante da década. Em meados de 1974, a Pansophic Systems começou a distribuir e vender o CA-SORT nos Estados Unidos com o nome Pansort. Em 1974, a empresa já usava o nome Computer Associates International Ltd.
Em Nova Iorque, a Standard Data Corporation atuava sobretudo como birô de serviços de processamento eletrônico de dados. Uma das primeiras empresas desse ramo, havia sido fundada em 1959 e ficava no número 1540 da Broadway, em Manhattan. Em 1973, começou a vender o SYMBUG, um depurador simbólico para a linguagem de programação COBOL, destinado à plataforma VM/370 dos mainframes da IBM. Em outubro de 1974, a Standard Data já anunciava outros produtos para VM/CMS, entre eles o VM/370 ISAM, que emulava o OS ISAM em VM/CMS, e versões do SYMBUG para outras linguagens. A empresa criou uma divisão de produtos de software, da qual Charles Wang era vice-presidente. Wang também buscava aproveitar a decisão da IBM de vender software separadamente do hardware, desenvolvendo e comercializando programas para seus mainframes.
Em janeiro de 1976, um acordo transferiu os direitos exclusivos de comercialização do CA-SORT nos Estados Unidos da Pansophic Systems para a Standard Data Corporation. A Standard Data retomou o nome usado pelo produto na Europa. Também obteve os direitos de venda nos Estados Unidos do gerador de relatórios EARL, sigla de Easy Access Report Language.
Anos 1970
Em outubro de 1976, foi anunciada a fusão da Computer Associates International Ltd com a divisão de produtos de software da Standard Data Corporation. A nova empresa, Computer Associates, Inc., teria Wang como presidente.
A nova companhia venderia o CA-SORT nos Estados Unidos e no restante do hemisfério ocidental, enquanto a empresa europeia comercializaria alguns produtos da Standard Data, como o SYMBUG. Seu escritório ficava no número 655 da Madison Avenue. A parte restante da Standard Data Corporation seguiu como empresa de serviços de informática para organizações de diferentes tipos. Ela ainda existia na década de 2010, mas seu site aparentemente deixou de estar acessível depois de 2018.
A fundação da Computer Associates que viria a se expandir pelo mundo costuma ser datada de 1976. A nova empresa começou com quatro funcionários. Um deles era Russell Artzt, que conhecera Wang na faculdade, trabalhara com ele na Standard Data Corporation e programou alguns dos primeiros produtos oferecidos pela companhia. Artzt foi, assim, um dos cofundadores da Computer Associates.
A consolidação da empresa ainda levaria algum tempo. O empreendimento estadunidense logo passou a usar o nome Trans-American Computer Associates, Inc.. Em setembro de 1977, os direitos autorais dos anúncios pertenciam à Trans-American Computer Associates, Inc., enquanto os do CA-SORT 77 pertenciam à Computer Associates International Ltd. O DYNAM/D, por exemplo, era um utilitário de disco para mainframes da IBM com os sistemas DOS e DOS/VS, usado para gerenciar espaço, catalogar discos e realizar tarefas semelhantes. Anunciado em 1977, tinha a marca registrada em nome da Trans-American Computer Associates, sinal de que fora desenvolvido nos Estados Unidos, e não na Europa.
Em 1979, a empresa estadunidense transferiu seus escritórios para Jericho, em Long Island, no número 125 da Jericho Turnpike.
Em 1980, a Computer Associates International tinha cerca de 300 funcionários em suas unidades pelo mundo e vendia 12 produtos. Afirmava que seus programas estavam instalados em 9.000 locais de clientes. Os Estados Unidos eram seu maior mercado. Naquele ano, Wang comprou a matriz suíça e assumiu o controle da Computer Associates International, Inc..
Anos 1980
A Computer Associates fez uma oferta pública inicial de ações em 1981, captando modestos US$ 3,2 milhões. Suas ações eram negociadas na NASDAQ com o código "CASI".
A primeira aquisição de maior porte da CA ocorreu em 1982, quando a fusão com a Capex Corporation aumentou sua receita em 50%. As duas empresas desenvolviam software para mainframes da IBM. A própria publicidade da CA reconhecia que, embora seus produtos para o sistema operacional DOS tivessem boa visibilidade e vendas, os possíveis clientes não a viam como uma fornecedora forte de software para o sistema OS. A Capex já havia conquistado espaço nesse mercado.
A compra da Capex foi, em geral, avaliada como bem-sucedida. Ela deu início a uma sequência de aquisições da Computer Associates nos anos seguintes. A empresa se especializou na compra de software para mainframes desenvolvido por terceiros.
Em 1986, a Computer Associates já havia transferido sua sede novamente, dessa vez para Garden City. A empresa também passaria a ocupar outros cinco prédios no condado de Nassau. Naquele ano, teve receita de US$ 265 milhões e lucro superior a US$ 30 milhões. A receita com software para computadores pessoais foi estimada entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões.
A compra da Uccel, em 1987, elevou a escala das aquisições da CA. O negócio de US$ 800 milhões era cerca de dez vezes maior que qualquer compra anterior. Uccel era o novo nome da UCC, cujo controle Haefner havia comprado de Wyly em 1976 e que passara por altos e baixos desde então. Dos 1.200 funcionários da Uccel, 550 foram demitidos. Esses cortes severos após as aquisições eram comuns na CA e passaram a fazer parte de sua imagem perante o público. Haefner se tornou o maior acionista individual da Computer Associates, com cerca de 25% das ações.
Em 1987, as ações da CA passaram a ser negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque com o código "CA". Em 1988, a empresa comprou o principal produto de software da Consco.
No fim da década, a CA se tornou a primeira empresa de software depois da Microsoft a superar US$ 1 bilhão em vendas. Em 1990, a Information Week colocou a Computer Associates à frente da Microsoft em uma lista intitulada "Software's Heavy Hitters".
Anos 1990
No início da década, a Computer Associates teve de responder às críticas à empresa e à queda acentuada de suas ações, que perderam mais de 50% do valor em 1990. A companhia avançou em mercados externos, como Japão, Canadá, África e América Latina, mudou a cobrança pela manutenção de software e melhorou a compatibilidade com produtos de outros fabricantes, como Hewlett-Packard, a HP, Apple Computer e Digital Equipment Corporation, a DEC. A recessão do início dos anos 1990 também atingiu a empresa. Em outubro de 1991, suas ações estavam cerca de 70% abaixo do pico de maio de 1989. A CA tinha então aproximadamente 7.000 funcionários e US$ 1,4 bilhão em vendas.
Em 1991, a CA comprou a Pansophic Systems.
Após dois anos e meio de planejamento e construção, a empresa começou a transferir sua sede para Islandia, no condado de Suffolk, em 1992, reunindo ali todas as operações do condado de Nassau. O novo complexo tinha três prédios de escritórios. A CA já era a segunda maior empregadora privada de Long Island, atrás da Grumman Aerospace. Para atrair a empresa, políticos de Suffolk haviam concedido amplos abatimentos de impostos e apoio ao financiamento da construção.
Em 1994, a CA comprou o ASK Group e manteve a oferta do sistema de gerenciamento de banco de dados Ingres, que comercializou com diferentes marcas.
Em 1992, a Electronic Data Systems, a EDS, que era cliente da CA, processou a empresa por quebra de contrato, uso indevido de direitos autorais e violações das leis de defesa da concorrência. A CA apresentou uma reconvenção, também por quebra de contrato, com acusações de violação de direitos autorais e apropriação indevida de segredos comerciais. As empresas chegaram a um acordo em 1996.
Em 1995, a CA comprou a Legent Corporation por US$ 1,78 bilhão, na maior aquisição já feita no setor de software até então. Em 1996, comprou a Cheyenne Software por US$ 1,2 bilhão. A aquisição da Platinum Technology International por US$ 3,5 bilhões, em 1999, estabeleceu um novo recorde no setor.
Em 1998, uma tentativa malsucedida de aquisição hostil da empresa de consultoria em informática Computer Sciences Corporation, a CSC, levou seu presidente, Van Honeycutt, a processar Charles Wang, fundador e então diretor executivo da CA, por suborno.
No fim dos anos 1990, a Computer Associates dominava o fornecimento de utilitários para mainframes. Empresas de software para computadores pessoais, como Microsoft, Lotus Development e WordPerfect Corporation, tinham nomes muito mais familiares ao público. O segmento de mainframes, embora menos conhecido, oferecia bons retornos financeiros. Um perfil publicado pela Business Week em 1996 tinha o título "Computer Associates: Sexy? No. Profitable? You Bet", uma síntese da posição que a empresa ocupava no setor.
Em maio de 1998, Wang e outras duas pessoas receberam ações que, juntas, valiam US$ 1,1 bilhão. Em 1999, Wang recebeu o maior bônus já pago por uma empresa de capital aberto até então. O pagamento de US$ 670 milhões em ações, decorrente da aquisição de direitos sobre uma opção de ações de 1995, ocorreu quando a desaceleração dos mercados europeus e a retração econômica na Ásia prejudicavam os lucros da CA e o preço de suas ações. Os pagamentos em ações provocaram forte controvérsia. No total, a empresa contabilizou uma despesa de US$ 675 milhões após impostos para os US$ 1,1 bilhão pagos a Wang e a outros executivos da CA.
Cultura empresarial
A Computer Associates recebia avaliações ruins no atendimento aos clientes, com a fama de se preocupar mais em vender do que em oferecer suporte após a venda. Em certa medida, sua equipe de vendas via os clientes como adversários. Em 2001, o The New York Times escreveu que "a Computer Associates enfureceu clientes com preços altos e suporte técnico ruim". A Fortune escreveu: "Apesar de estar em toda parte nos departamentos de tecnologia das empresas americanas, a CA tinha uma reputação péssima. Enquanto a Microsoft há muito era a empresa de software mais temida, a antiga CA reivindicava o título de mais desprezada, não pelos concorrentes, mas por seus próprios clientes".
Os críticos da CA a acusavam de limitar os produtos recém-adquiridos à manutenção e extrair deles o máximo de receita. Como os programas eram caros e essenciais ao trabalho dos departamentos de informática, os clientes tinham dificuldade para abandonar a CA. A Fortune escreveu: "Esses produtos fizeram dela uma craca incrustada nas empresas americanas. Depois que um software da CA entrava, era tão trabalhoso e caro removê-lo que poucos clientes o faziam. Isso gerava uma grande entrada constante de dinheiro e arrogância por parte da direção da CA". O The Register escreveu: "A CA usou aquisições para ampliar seu catálogo de produtos. [...] No caminho, ganhou fama de ser o lugar onde bons programas vão morrer". Já o Times observou em 2001: "É verdade que as reclamações sobre os preços e o atendimento da Computer Associates existem há quase tanto tempo quanto a própria empresa, e ela sempre resistiu por mais tempo que seus críticos".
Para analistas do setor, o modo de trabalhar da Computer Associates tinha muito da personalidade e da trajetória de Wang, um imigrante formado no Queens College da Universidade da Cidade de Nova Iorque, uma instituição fora do circuito de elite. Wang não admirava nem compartilhava a mentalidade do Vale do Silício e costumava hostilizar ou evitar seus analistas de mercado e investidores de capital de risco. Grande parte da equipe de vendas era formada por pessoas de origem operária, vindas dos distritos de Nova Iorque fora de Manhattan e de Long Island. Com essa equipe, a CA tinha a fama de ser, nas palavras da BusinessWeek, "esperta, agressiva e sempre lucrativa".
Sobre a relação com os funcionários, o Times escreveu: "Ao longo dos anos, [a empresa] ganhou fama de ser uma empregadora insensível, que demite sem aviso enquanto seus principais executivos recebem remunerações de oito e, às vezes, nove dígitos". A Computer Associates era especialmente criticada pelas demissões em massa nas empresas que comprava. Na Applied Data Research, por exemplo, cerca de 200 funcionários da unidade de Montgomery Township, em Nova Jérsei, foram demitidos em uma única manhã de 1988. Na Cullinet, cerca de 400 pessoas, um quarto dos funcionários, receberam a ordem de esvaziar suas mesas em um mesmo dia de 1989. Ao recordar sua decisão de vender a Sterling Software à Computer Associates em 2000, Sam Wyly afirmou: "Não foi fácil para nós, porque nos preocupávamos com a cultura da CA. Não era o destino ideal para nossos produtos e nossa gente. Ficamos angustiados com isso, mas nosso dever maior era com os acionistas, então levamos o negócio adiante".
Por volta de 2001, o historiador da informática Martin Campbell-Kelly apresentou uma avaliação diferente. Elogiou a Computer Associates por continuar a aprimorar os bancos de dados DATACOM/DB e IDMS que havia comprado e por trabalhar para que seus bancos de dados e utilitários funcionassem em conjunto. Campbell-Kelly também via os cortes de pessoal como uma "racionalização" de empresas que, em alguns casos, não iam bem. Em 2002, Joseph A. Piscopo, fundador da Pansophic Systems, fez uma avaliação intermediária. Disse que sua empresa, comprada em 1991, tivera o destino comum de ser reduzida à equipe mínima necessária para manter a receita dos contratos de manutenção. Reconheceu, porém, que em alguns casos a CA investia nas empresas adquiridas como parte de uma estratégia interna de desenvolvimento de produtos, como fizera com a Cheyenne Software.
Escândalo contábil
Em 2000, a Computer Associates já havia comprado cerca de 200 empresas. Naquele ano, Sanjay Kumar substituiu Wang como diretor executivo, e Wang permaneceu na presidência do conselho de administração. Em 2002, Wang deixou a empresa, e Kumar assumiu também a presidência do conselho.
Em 2000, uma ação coletiva de acionistas acusou a CA de declarar incorretamente mais de US$ 500 milhões em receitas nos exercícios fiscais de 1998 e 1999 para elevar artificialmente o preço de suas ações. Em 2001, o conselho de administração enfrentou uma disputa por procurações de voto com acionistas liderados por Wyly, insatisfeito com a gestão da CA e, em especial, com o destino da Sterling Software após sua aquisição. Wyly pretendia convencer os acionistas a eleger um novo conselho, presidido por ele, sem comprar a empresa. Esperava obter o apoio de Haefner, com quem fazia negócios desde os anos 1960, mas Haefner permaneceu ao lado de Wang. As duas tentativas de Wyly fracassaram. Ele desistiu da disputa em 2002 e recebeu US$ 10 milhões, um pagamento que dividiu os analistas do setor. Parte deles o chamou de greenmail.
No início de 2002, já era público que a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, e a Procuradoria Federal do Distrito Leste de Nova Iorque investigavam possíveis fraudes contábeis na CA. A empresa precisou cancelar um plano de refinanciamento da dívida depois que a Moody's Investors Service sinalizou que poderia rebaixar sua classificação de crédito, o que fez pouco depois. Ainda em 2002, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos impôs limites às aquisições da CA.
A investigação da SEC resultou em acusações contra a empresa e antigos integrantes de sua direção. A SEC alegou que, de 1998 a 2000, a CA mantinha rotineiramente seus livros contábeis abertos para lançar no trimestre receitas de contratos assinados após seu encerramento, a fim de atender às expectativas dos analistas de Wall Street. Um texto da Wharton School da Universidade da Pensilvânia explicou: "A SEC disse que o objetivo era atingir ou superar as estimativas de lucro por ação dos analistas de Wall Street, algo essencial para manter o preço das ações de uma empresa em alta. [...] No total, a empresa declarou antecipadamente US$ 3,3 bilhões em receitas de 363 contratos de software. [...] Além disso, os executivos da Computer Associates eram grandes acionistas, e muitos tinham enormes quantidades de opções de ações. Tinham, portanto, um forte interesse financeiro no preço das ações e um incentivo para inflar os resultados".
Kumar renunciou aos cargos de diretor executivo e presidente do conselho em 2004, mas permaneceu como arquiteto-chefe de software até deixar a empresa dois meses depois. Após a mudança na direção, a CA reapresentou os resultados de 2000 e 2001 por causa das práticas irregulares de reconhecimento de receitas. Também em 2004, evitou ser indiciada no escândalo contábil do "mês de 35 dias" ao firmar um acordo com a SEC e o Departamento de Justiça. A CA aceitou pagar US$ 225 milhões em indenizações aos acionistas e reformar sua governança e seus controles de contabilidade financeira.
Oito executivos da CA se declararam culpados de fraude ou obstrução da Justiça, e parte deles recebeu penas de prisão. Em 2006, Kumar, ex-diretor executivo e ex-presidente do conselho, foi condenado a 12 anos de prisão e a uma multa de US$ 8 milhões por sua participação na fraude contábil da Computer Associates. A empresa trocou praticamente toda a alta direção. No total, gastou mais de US$ 500 milhões com investigações e multas.
Anos 2000
Em 2001, a Computer Associates era a quarta maior empresa independente de software e tinha 18.000 funcionários. As tentativas de diversificar seus negócios para além dos mainframes haviam obtido pouco êxito.
A CA inaugurou o India Technology Centre em Hyderabad em 10 de dezembro de 2003. Em 2004, nomeou o ex-funcionário da IBM John Swainson para o cargo de diretor executivo. Swainson tentou recuperar a empresa, mas encontrou dificuldades para corrigir os sistemas internos de finanças e contabilidade.
Nessa fase, a companhia apresentou sua proposta de Enterprise IT Management, ou EITM, para unificar e simplificar a gestão de tecnologia da informação em toda a empresa. Em 2006, tinha 15.000 funcionários.
O nome Computer Associates International, Inc. foi substituído por CA, Inc. em janeiro de 2006. A empresa afirmou que a mudança acompanhava seu novo foco em ajudar os clientes a "simplificar a gestão de TI em toda a empresa". A alteração ocorreu pouco antes de Kumar se declarar culpado das acusações contra ele.
A CA passou a integrar o índice NASDAQ-100 em maio de 2008.
Em 1 de setembro de 2009, a CA anunciou que John Swainson havia decidido se aposentar até o fim do ano. Em 28 de janeiro de 2010, anunciou que William E. McCracken seria presidente do conselho de administração e diretor executivo.
Anos 2010
Em maio de 2010, na abertura da conferência CA World 2010, em Las Vegas, a empresa anunciou outra mudança de nome, para CA Technologies. A justificativa foi que o novo nome "traduz toda a amplitude e profundidade do que a empresa oferece".
Até 2010, a empresa havia adquirido oito companhias para apoiar sua estratégia de computação em nuvem. Eram elas a 3Tera, a Nimsoft, a NetQoS, a Oblicore, a Cassatt, a 4Base Technology, a Arcot Systems e a Hyperformix. Também comprou a Replay Solutions. Em 2011, a CA adquiriu a ITKO por US$ 330 milhões. Dois anos depois, comprou a Nolio, especializada em implantação e gestão de aplicativos, por aproximadamente US$ 40 milhões, e a Layer7.
Ao entrar no mercado de vendas diretas ao consumidor, ou business-to-consumer, a empresa passou a fornecer programas comerciais de antivírus e segurança na internet para computadores pessoais. Em 2011, vendeu seus negócios de antivírus à Updata Partners, que transformou a divisão em uma empresa separada, a Total Defense. Após a separação, a CA voltou a ser lembrada principalmente por seus aplicativos de infraestrutura de tecnologia da informação para mainframes e sistemas distribuídos, como os de cliente-servidor, destinados ao mercado entre empresas, ou business-to-business.
Em 7 de janeiro de 2013, a CA Technologies anunciou Michael P. Gregoire como integrante do conselho e novo diretor executivo. Em junho de 2014, sem anúncio público, transferiu a sede de Islandia, no condado de Suffolk, para o número 520 da Madison Avenue, em Nova Iorque.
Entre as aquisições de 2015 estavam a Rally Software, por US$ 480 milhões, a Unifyalm, a Gridtools, a Idmlogic e a Xceedium.
A CA comprou a BlazeMeter em 2016. A Automic, a Veracode e a Runscope foram adquiridas em 2017.
A CA Technologies registrou receita de US$ 4,2 bilhões no exercício fiscal de 2018, encerrado em 31 de março daquele ano. Os produtos e serviços para mainframes ainda eram sua principal fonte de receita, com cerca de US$ 2,2 bilhões. O segmento chamado de soluções empresariais gerou aproximadamente US$ 1,75 bilhão, e o de serviços, cerca de US$ 300 milhões. Em 2018, a empresa tinha escritórios em mais de 40 países e aproximadamente 11.300 funcionários.
Em 8 de agosto de 2018, o diretor executivo Mike Gregoire foi eleito presidente do conselho de administração da CA Technologies, substituindo Art Weinbach, que se aposentava.
Aquisição pela Broadcom
Em 11 de julho de 2018, a Broadcom anunciou que compraria a CA Technologies por US$ 18,9 bilhões em dinheiro. Mike Gregoire, diretor da CA, afirmou: "Essa combinação alinha nossa experiência em software à liderança da Broadcom no setor de semicondutores". A aquisição causou perplexidade entre observadores do setor, pois os negócios das duas empresas pareciam ter pouco em comum. Um analista reconheceu que a Broadcom poderia gerar caixa com as operações da CA, mas questionou: "Financeiramente, pode fazer sentido. Mas qual é a lógica estratégica?" O The Register chamou o negócio de "a aquisição mais estranha de todos os tempos". A transação foi concluída em 5 de novembro de 2018.
A inversão de papéis chamou a atenção do The Register, que escreveu: "A CA Technologies, há muito sinônimo de aquisições, foi adquirida pela Broadcom". A Broadcom, assim como a CA, tinha fama de fazer grandes cortes nas empresas que comprava. Logo após concluir a aquisição, demitiu antigos funcionários da CA Technologies no Vale do Silício e em Plano, no Texas. Também dispensou 262 funcionários em Islandia e outros em Manhattan. Depois, o jornal Newsday, de Long Island, noticiou que cerca de 40% dos funcionários da CA nos Estados Unidos seriam demitidos, quase 2.000 pessoas ao todo. Pouco depois da aquisição, o grande complexo da Computer Associates em Islandia foi abandonado. Os novos proprietários decidiram dar outro uso ao terreno, e a antiga sede da CA Technologies foi demolida por implosão controlada em janeiro de 2024.
Responsabilidade empresarial e reconhecimento


Em meados dos anos 1990, a Computer Associates percebeu que sua imagem era ruim dentro e fora da empresa. Criou um departamento de relações públicas e adotou políticas de recursos humanos mais favoráveis aos funcionários.
Sustentabilidade
Em 2010, a CA entrou na lista de empresas com melhor desempenho ambiental da Newsweek. Integrou os índices Dow Jones de sustentabilidade, os DJSI, por sete anos, de 2012 a 2018. Em 2015 e 2016, voltou a figurar entre as empresas dos Estados Unidos com melhor desempenho ambiental na classificação da Newsweek.
Em 2017, recebeu a nota A− do CDP por seu desempenho ambiental e pela divulgação de informações sobre o tema. O CDP mantinha a avaliação mundial mais abrangente das empresas que lideravam ações ambientais.
Em seu relatório de sustentabilidade corporativa de 2018, a CA informou que havia reduzido suas emissões de gases de efeito estufa em mais de 35% desde 2006. Naquele ano, recebeu o Climate Leadership Award na categoria de excelência em gestão de gases de efeito estufa e entrou na lista das 100 empresas mais sustentáveis da Barron's.
Em fevereiro de 2018, o Ethisphere Institute incluiu a CA entre as empresas mais éticas do mundo pelo terceiro ano consecutivo.
Igualdade e diversidade
A revista Working Mother incluiu a CA Technologies entre as melhores empresas para mulheres de diferentes origens étnicas e culturais por quatro anos consecutivos, de 2015 a 2018, e entre as 100 melhores empresas de 2015 a 2017. Em 2017, a InHerSight atribuiu à companhia 4,3 de 5 estrelas e a colocou entre as dez melhores empresas de TI para mulheres. Em 2015 e 2016, o Fatherly.com classificou a CA entre os melhores lugares para trabalhar para homens que haviam acabado de se tornar pais.
Em 2018, a National Association for Female Executives incluiu a CA entre as melhores empresas para mulheres em cargos executivos. Naquele ano, a empresa também entrou no índice de igualdade de gênero da Bloomberg, o GEI.
Ainda em 2018, pelo quarto ano consecutivo, a fundação Human Rights Campaign classificou a CA entre os melhores ambientes de trabalho quanto à igualdade LGBTQ+.
Mike Gregoire, diretor executivo da CA, assinou o compromisso CEO Action for Diversity and Inclusion, voltado à diversidade e à inclusão.
Ambiente de trabalho
Por quatro anos consecutivos, de 2015 a 2018, a Computerworld incluiu a CA entre os melhores lugares para trabalhar em TI. Em 2017, a empresa entrou na lista dos melhores empregadores dos Estados Unidos da Forbes e recebeu um prêmio STAR de liderança e inovação da Technology Services Industry Association, a TSIA.
Em 2018, a Thomson Reuters colocou a CA entre as 100 principais empresas de tecnologia do mundo. A companhia também recebeu, por seis anos consecutivos, o NorthFace ScoreBoard Award do Customer Relationship Management Institute, o CRMI.
Aquisições
A CA comprou empresas de software durante grande parte de sua existência. Ampliou seu catálogo de produtos e cresceu com a aquisição de companhias de áreas distintas, como monitoramento e gestão de sistemas empresariais, gestão de identidades, segurança e antivírus.
Leitura adicional
- Kestin, Hesh. 21st Century Management: The Revolutionary Strategies That Have Made Computer Associates a Multibillion-Dollar Software Giant. Atlantic Monthly Press, 1992.
