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artista e compositor português (1850-1907)

Alfredo Keil

Alfredo Keil

O essencial

data de nascimento3 de julho de 1850
data de morte4 de outubro de 1907
ocupaçãocompositor, poeta, pintor
local de nascimentoLisboa
local de morteHamburgo
obra destacadaA Portuguesa
Todos os dados da infocaixa 9
Nascimento
3 de julho de 1850Lisboa
Morte
4 de outubro de 1907 (57 anos)Hamburgo
Nacionalidade
Português
Cidadania
Reino de Portugal
Filho(a)(s)
Luís Keil
Ocupação
Compositor, pintor, poeta, arqueólogo e coleccionador
Principais trabalhos
A Portuguesa
Obras destacadas
A Portuguesa
Instrumento
piano

Alfredo Cristiano Keil (Lisboa, 3 de julho de 1850 – Hamburgo, 4 de outubro de 1907) foi um compositor, pintor, poeta, arqueólogo e coleccionador de arte português. Keil é conhecido como o compositor do hino nacional português (A Portuguesa).

Vida e obra

Leitura de uma carta (1874), no Museu do Chiado.
Leitura de uma carta (1874), no Museu do Chiado.
No Cais do Tejo (1881), no Museu do Chiado
No Cais do Tejo (1881), no Museu do Chiado
2 imagens

Alfredo Cristiano Keil era filho do alfaiate Hans-Christian Keil (mais tarde João Cristiano Keil) e da alsaciana Maria Josefina Stellflug, ambos de origem alemã e radicados em Portugal. A sua educação básica deu-se igualmente na Alemanha, berço do romantismo. Esta foi, talvez, uma das razões pelas quais o artista seguia a reboque das novas tendências, já estabelecidas na Europa.

Estudou desenho e música em Nuremberga, numa academia dirigida pelo pintor Wilhelm von Kaulbach e August von Kreling. Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana, regressa a Portugal. Em 1890, o ultimato inglês a Portugal ofereceu a Alfredo Keil a inspiração para a composição do canto patriótico "A Portuguesa", com versos de Henrique Lopes de Mendonça. A cantiga tornou-se popular em todo o país e seria mais tarde feita hino nacional de Portugal — A Portuguesa.

Fez parte da Maçonaria, sendo iniciado em 1893 na Loja Gomes Freire do Grande Oriente Lusitano Unido com o nome simbólico de Meyerbeer.

Pintor do romantismo, numa época em que a arte mundial ia em direcção do realismo. Músico e compositor lírico, escritor e poeta, Keil não era um pintor de tempo integral, embora também não fosse um artista de fins-de-semana, pois pintava regularmente e deixou centenas de quadros com impressão fina e delicada, de excelente qualidade.

Em Portugal, sua presença como pintor foi ofuscada pelo brilhantismo com que se destacou na música e na poesia. Foi na música, sobretudo, que ele obteve seu maior sucesso, havendo composto o hino pátrio A Portuguesa. Sua mais conhecida composição, todavia, foi a Marcha Fúnebre. E, entre os livros que publicou, destaca-se «Tojos e Rosmaninhos». purl.pt (poesias, 1908), obra tríplice inspirada nas lendas e tradições de Ferreira do Zêzere, concelho no qual, a partir da famosa Estalagem dos Vales (uma espécie de Barbizon Portuguesa), Keil, José Campas, José Ferreira Chaves, Teixeira Lopes, Taborda (actor), António Saúde, Simões de Almeida, o próprio rei D.Carlos I e muitos outros artistas do final do século XIX frequentavam esta paragem.

O artista morreu em Hamburgo (Alemanha) em 4 de outubro de 1907.

Como pintor

Era um pintor de paisagens, mas também de interiores requintados, como o quadro Leitura de uma Carta, trazido a público em 1874 e recebido com entusiasmo, tanto pela aristocracia ainda dominante, como pelos burgueses endinheirados, a quem a arte singela do romantismo sensibilizava mais fortemente.

O seu trabalho encontrou e conquistou um apreciável segmento do mercado. Em 1890, realizou uma exposição individual em Lisboa, bastante concorrida, na qual expôs cerca de trezentos quadros. Foi a consagração em seu país, após o reconhecimento que lhe fora dado por outros países.

Em 1878, inscreveu-se na Exposição Internacional de Paris; em 1879, esteve no Brasil, expondo no Salão Nacional de Bellas-Artes, onde conquistou medalha de ouro; em 1886, participou da Exposição de Madrid, recebendo a Condecoração da Ordem de Carlos III de Espanha.

Como compositor

Como compositor, ganharam destaque as óperas Donna Bianca (1888), Irene (1893) e Serrana (1899), esta considerada até então a melhor ópera portuguesa.

Alfredo compôs a música de A Portuguesa, o hino nacional, em 1891, com letra do poeta e dramaturgo Henrique Lopes de Mendonça, aprovada em 1911, após a proclamação da República no ano anterior. Ironicamente, ele tinha morrido exatamente três anos antes do primeiro dia da Revolução.

Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Serões (1901-1911).

Como escritor

Keil interessa-se também pelo coleccionismo, arqueologia, etnografia e pela actividade literária. Publica Breve notícia dos instrumentos de Música antigos e modernos da Colecção Keil (em 1904), Colecções e Museus de Arte em Portugal (em 1905) e Tojos e Rosmaninhos, uma colectânea de poesias ilustrada pelo artista (em 1908).

Família

Jazigo da família Keil, no Cemitério dos Prazeres, onde se encontra sepultado Alfredo Keil.
Jazigo da família Keil, no Cemitério dos Prazeres, onde se encontra sepultado Alfredo Keil.

Casou-se com Cleyde Maria Margarida Cinatti, filha de pais italianos, Giuseppe Luigi Cinatti (filho de Luigi Cinatti e esposa Maria Nicolina …) e esposa Margherita Rivolto (filha de Giacomo Rivolto e esposa Margherita Sertorio) e teve quatro filhos (Joana, Guida, Luís e Paulo):

  • Joana Maria Francisca Cinatti Keil
  • Guida Maria Josefina Cinatti Keil, casou primeiro com Jaime Raul de Brito Carvalho da Silva, têm dois filhos, e casou segunda vez como Francisco do Amaral Reis, 1.º Visconde de Pedralva (Canas de Senhorim, Nelas, 31 de agosto de 1873 – Coimbra, 5 de abril de 1938), 100.º governador de Angola entre 1920 e 1921, filho de José Caetano dos Reis e esposa Lucrécia Coelho do Amaral, e teve apenas um filho, o arquitecto Francisco Keil do Amaral:
    • Maria Sara Keil Carvalho da Silva
    • Eduardo Alfredo Keil Carvalho da Silva, casou com Dolores dos Santos Mendes, de quem tem três filhos:
      • Eduardo Artur Mendes Keil Carvalho da Silva
        • Bárbara Queiroz Soares Carvalho da Silva
      • Guida Maria Mendes Keil Carvalho da Silva, teve três filhos naturais, um de Morais Marques e dois de Teixeira:
        • Inês Raquel Carvalho da Silva Morais Marques
        • Tito Carvalho da Silva Teixeira
        • Erica Carvalho da Silva Teixeira
      • Carlos Eduardo Mendes Keil Carvalho da Silva
    • Francisco Keil do Amaral
  • Luís Cristiano Cinatti Keil (1881–1947)
  • Paulo Henrique Cinatti Keil

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