Aaron Hillel Swartz (Chicago, 8 de novembro de 1986 – Nova Iorque, 11 de janeiro de 2013) foi um programador, empreendedor, escritor e ativista da internet estadunidense que trabalhou na criação de ferramentas para compartilhar informação e defendeu o acesso público ao conhecimento. Participou do desenvolvimento do RSS, da arquitetura técnica das licenças Creative Commons e da linguagem Markdown, criou o framework web.py e foi coproprietário e desenvolvedor do Reddit.
Depois da venda do Reddit, concentrou-se no ativismo político. Ajudou a criar o Progressive Change Campaign Committee e a Demand Progress, participou da campanha contra o projeto de lei Stop Online Piracy Act, a SOPA, e pesquisou a corrupção política na Universidade Harvard.
Em 2011, foi preso após baixar milhões de artigos acadêmicos do JSTOR pela rede do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. O processo federal, as acusações de acesso não autorizado e as negociações com a promotoria provocaram uma discussão sobre os limites da legislação sobre crimes informáticos. Aaron morreu por suicídio em janeiro de 2013, antes do julgamento, e as acusações foram retiradas.
Sua morte deu origem a homenagens, campanhas pelo acesso aberto e propostas de reforma da legislação dos Estados Unidos. Em 2013, recebeu postumamente o Prêmio James Madison e foi incluído no Internet Hall of Fame. Sua vida foi o tema do documentário O Menino da Internet: A História de Aaron Swartz, lançado em 2014.
Infância e formação

Aaron Hillel Swartz nasceu em Chicago em 8 de novembro de 1986 e cresceu em Highland Park, cerca de 40 quilômetros ao norte da cidade. Era o filho mais velho de Susan e Robert Swartz, de uma família de origem judaica, e tinha dois irmãos, Noah e Ben. Seu pai fundou a Mark Williams Company, empresa de software que recebeu o nome do avô de Aaron e comercializou o Coherent, um sistema operacional semelhante ao Unix.
Desde criança, interessou-se por computadores, programação e pela cultura da internet. Estudou na North Shore Country Day School, uma escola particular perto de Chicago, até o nono ano. Deixou a escola e passou a frequentar disciplinas no Lake Forest College.
Em 1999, aos 12 anos, criou o site The Info Network, uma enciclopédia escrita pelos próprios usuários. O projeto recebeu o Prêmio ArsDigita, destinado a jovens que desenvolviam sites não comerciais com fins educativos e colaborativos. A premiação incluía uma visita ao MIT e encontros com profissionais da internet. Aos 14 anos, passou a integrar o grupo de trabalho que elaborou a especificação RSS 1.0, usada para distribuir atualizações de páginas da web. Um ano depois, começou a trabalhar com o Creative Commons.
Ingressou na Universidade Stanford em 2004, mas deixou o curso depois do primeiro ano.
Infogami, Reddit e Jottit

Durante o primeiro ano em Stanford, candidatou-se ao programa de verão para fundadores de empresas da Y Combinator. Propôs desenvolver o Infogami, um sistema de gestão de conteúdo que permitiria criar sites e organizar dados em uma wiki. Trabalhou no projeto com Simon Carstensen durante o verão de 2005 e decidiu não voltar à universidade para continuar o desenvolvimento e buscar financiamento.
Como não estava satisfeito com as ferramentas disponíveis em Python, criou o web.py para usar no Infogami. No início do outono de 2005, ajudou os fundadores do Reddit, outra empresa apoiada pela Y Combinator, a reescrever em Python e web.py o código que usava Lisp. O software do Infogami foi depois aproveitado na Open Library, do Internet Archive, e o web.py foi usado em outros projetos de Aaron e de outros programadores.
Quando o Infogami não conseguiu novos investimentos, os organizadores da Y Combinator sugeriram uma fusão com o Reddit. As duas empresas se uniram em novembro de 2005 na Not a Bug, criada para desenvolver os dois produtos. Aaron passou a ser apresentado como cofundador do Reddit. Os projetos tiveram dificuldades no início, mas o Reddit ganhou usuários em 2005 e 2006.
Em outubro de 2006, a Not a Bug foi comprada pela Condé Nast, proprietária da revista Wired, em uma negociação motivada sobretudo pelo crescimento do Reddit. Aaron mudou-se para São Francisco para continuar o trabalho na empresa, mas não se adaptou à rotina do escritório. Em janeiro de 2007, foi convidado a se demitir. Em setembro, voltou a trabalhar com Simon Carstensen no lançamento do Jottit, uma nova tentativa de criar um sistema de gestão de conteúdo em Python, com textos formatados em Markdown. Trabalhou também como desenvolvedor na Thoughtworks.
Ativismo



Em 2008, criou o Watchdog.net para reunir dados sobre políticos e apresentá-los de forma que os usuários pudessem examiná-los e compará-los. O projeto se propunha a fiscalizar o governo. No mesmo ano, escreveu o Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso, em defesa do compartilhamento de publicações científicas e contra as barreiras econômicas ao conhecimento. Em seus textos, discutia a organização da sociedade e o uso da tecnologia na ação política progressista. Seu trabalho recebeu elogios da Electronic Frontier Foundation, a EFF, organização de defesa dos direitos digitais.
PACER
Em 2008, baixou cerca de 2,7 milhões de documentos de tribunais federais disponíveis no PACER, sistema de acesso eletrônico a processos administrado pelo Administrative Office of the United States Courts. Procurava disponibilizar gratuitamente documentos públicos que o serviço cobrava para fornecer. O FBI investigou a iniciativa, mas não apresentou acusações.
O PACER cobrava oito centavos de dólar por página. Carl Malamud, fundador da organização sem fins lucrativos Public.Resource.Org, defendia o acesso gratuito porque os documentos produzidos pelo governo federal não estavam protegidos por direitos autorais. As receitas eram usadas na infraestrutura tecnológica dos tribunais, mas o sistema acumulava um excedente de aproximadamente US$ 150 milhões. Seu funcionamento ainda dependia de tecnologias concebidas para conexões por modem. Carl pediu a outros ativistas que visitassem uma das 17 bibliotecas que ofereciam acesso experimental gratuito ao PACER, baixassem documentos e os enviassem para distribuição pública.
Aaron respondeu ao pedido e escreveu um programa em Perl que funcionava nos servidores da Amazon Elastic Compute Cloud, usando as credenciais de uma biblioteca de Sacramento. Entre 4 e 20 de setembro de 2008, o programa baixou documentos e os transferiu para um serviço de computação em nuvem. O material foi entregue à organização de Carl.
Em 29 de setembro, o Government Printing Office suspendeu o acesso experimental para avaliar o programa. O FBI abriu uma investigação, encerrada dois meses depois sem apresentação de acusações. Aaron obteve os documentos da investigação por meio da Freedom of Information Act, lei de acesso à informação dos Estados Unidos. Ao comentar o material, criticou as confusões que atribuía ao FBI e a falta de senso de humor dos investigadores.
Em uma homenagem realizada em 2013, Carl contou que os documentos retirados do sistema continham informações que deveriam ter sido protegidas, como prontuários médicos e nomes de crianças e de informantes. Os resultados foram enviados aos responsáveis por 31 tribunais distritais, que ocultaram os dados pessoais e advertiram os advogados responsáveis pelos documentos. Carl afirmou que a conferência dos tribunais alterou suas regras de privacidade. Criticou também a decisão dos administradores do PACER de tratar o acesso aos documentos como a retirada de US$ 1,6 milhão em receitas e de chamar o FBI, que não encontrou motivo para uma acusação. Publicou um relato da colaboração em seu próprio site.
O jornalista Timothy B. Lee, que ajudou a criar a extensão RECAP com os documentos obtidos por Aaron, contestou as estimativas sobre o tamanho da coleta. Aaron havia calculado que baixara cerca de 25% do PACER, e o The New York Times publicara uma estimativa de 20%. Timothy comparou os 2,7 milhões de documentos obtidos com os aproximadamente 500 milhões que o sistema continha e concluiu que a coleta correspondia a menos de 1% do total.
A extensão RECAP permite que usuários do navegador salvem documentos consultados no PACER em um acervo de acesso público.
Progressive Change Campaign Committee
Em 2009, ajudou a criar o Progressive Change Campaign Committee, interessado em aprender formas de atuação política. Dedicava o trabalho a aprovar políticas progressistas e a eleger candidatos com essas propostas. Em uma de suas primeiras ações pelo comitê, entregou aos parlamentares de Massachusetts milhares de assinaturas da campanha "Honor Kennedy". O pedido era que nomeassem um senador para votar a reforma do sistema de saúde, cumprindo o último desejo do senador Ted Kennedy.
Demand Progress
Em 2010, fundou com outros ativistas a Demand Progress, organização que mobilizava usuários da internet para entrar em contato com parlamentares e outras autoridades, financiar campanhas de pressão e divulgar iniciativas sobre liberdades civis e reformas do governo.
No ano letivo de 2010–2011, foi pesquisador do laboratório de corrupção institucional do Edmond J. Safra Center for Ethics, na Universidade Harvard, dirigido por Lawrence Lessig. Aconselhou Cory Doctorow na criação da campanha política do protagonista do romance Homeland, que utiliza informações disponíveis sobre eleitores para organizar uma candidatura de base contra o establishment. No posfácio do livro, Aaron defendeu que pessoas com disposição e conhecimento técnico poderiam usar essas ferramentas para modificar o sistema político e ofereceu ajuda a quem quisesse tentar.
Campanha contra a SOPA
Aaron participou da campanha contra a Stop Online Piracy Act, a SOPA, projeto de lei destinado a combater violações de direitos autorais na internet. Seus críticos argumentavam que a proposta facilitaria o bloqueio de sites pelo governo dos Estados Unidos e imporia obrigações excessivas aos provedores.
Depois da retirada da proposta, foi o principal palestrante do encontro Freedom to Connect, realizado em Washington em 21 de maio de 2012. Na apresentação "How We Stopped SOPA", contou que ele e seus amigos haviam passado uma noite criando o site da Demand Progress e uma petição contra a legislação. A campanha reuniu cerca de 300 mil assinaturas e levou o grupo a conversar com assessores no Congresso. Aaron lembrou que uma proposta anterior avançara com apoio unânime, até que o senador Ron Wyden interrompeu sua tramitação. Atribuiu a vitória à participação das pessoas que assumiram para si a tarefa de defender a liberdade de comunicação.
A campanha reuniu mais de 115 mil sites, na contagem da organização Fight for the Future. A EFF a classificou como o maior protesto da história da internet. Aaron também falou sobre a campanha em um evento da Thoughtworks.
Wikipédia
Aaron editava a Wikipédia desde agosto de 2003 com o nome de usuário. Em 2006, candidatou-se ao Conselho de Curadores da Fundação Wikimedia, mas não foi eleito. Nesse ano, analisou o histórico de artigos para investigar quem escrevia seu conteúdo. Concluiu que dezenas de milhares de colaboradores ocasionais acrescentavam a maior parte do texto, enquanto um grupo de 500 a 1.000 editores frequentes corrigia erros de ortografia e formatação.
Sua conclusão era que o trabalho de formatação dava apoio a quem acrescentava conteúdo, e não o contrário. A análise contrariava a interpretação de Jimmy Wales, cofundador da Wikipédia, para quem o grupo de editores regulares escrevia a maior parte do conteúdo. Aaron contou os caracteres acrescentados aos artigos por cada usuário, enquanto Jimmy comparava o número de edições.
WikiLeaks
Em 27 de dezembro de 2010, apresentou um pedido com base na Freedom of Information Act para obter informações sobre o tratamento de Chelsea Manning, então apontada como fonte do WikiLeaks. Poucos dias depois da morte de Aaron, a organização afirmou que ele a ajudara e conversara com Julian Assange em 2010 e 2011. O WikiLeaks declarou ter razões para acreditar, sem poder comprovar, que ele fora uma de suas fontes. A divulgação dessa suspeita levantou uma questão sobre o cumprimento das próprias regras de anonimato da organização.
Processo judicial
![Primeira página da análise do incidente, com a cronologia de 25 de setembro a 26 de dezembro de 2010.[111]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/27/Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3142.png/960px-Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3142.png)
![Segunda página da análise, com as medidas adotadas pelo JSTOR.[112]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bb/Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3143.png/960px-Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3143.png)
![Mensagem ao procurador Stephen Heymann com uma estimativa de 3,5 milhões de arquivos baixados.[113]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9f/Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3127.png/960px-Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3127.png)
![Mensagem sobre a atividade de download de arquivos PDF.[114]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4d/Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3128.png/960px-Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3128.png)
![Downloads do JSTOR para computadores do MIT entre novembro e dezembro de 2010.[115]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f0/Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3129.png/960px-Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3129.png)
![Downloads do JSTOR para o MIT entre 1.º e 15 de janeiro de 2011.[116]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2b/Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3136.png/960px-Swartz-jstor-evidence-pdf-page-3136.png)
No fim de 2010 e no início de 2011, Aaron utilizou a rede do MIT para baixar um grande volume de artigos científicos do JSTOR, repositório digital de periódicos acadêmicos. Visitantes do campus podiam acessar a plataforma pela rede da instituição. Como pesquisador em Harvard, Aaron também tinha uma conta no JSTOR.
Download dos artigos
Em 25 de setembro de 2010, o endereço IP 18.55.6.215, pertencente à rede do MIT, começou a enviar centenas de pedidos de arquivos PDF por minuto ao JSTOR, reduzindo a velocidade do serviço. O endereço foi bloqueado, mas outro endereço da mesma rede passou a fazer novos pedidos. O JSTOR bloqueou temporariamente toda a faixa de endereços do MIT em seu firewall. Em uma mensagem enviada à instituição em 29 de setembro, um funcionário explicou que a medida era excepcional. O programa abria uma nova sessão a cada arquivo, ou a cada pequeno grupo de arquivos, e havia produzido mais de 200 mil sessões em uma hora no momento de maior atividade.
As autoridades afirmaram que Aaron usava um computador portátil conectado a um comutador de rede em uma sala de equipamentos do MIT com acesso restrito. A imprensa informou que a porta da sala ficava destrancada. Depois da descoberta do computador, uma câmera foi instalada no local, sem que o equipamento fosse retirado. A gravação terminou quando Aaron foi identificado. O JSTOR chegou a um acordo com ele em junho de 2011, pelo qual recebeu de volta os dados baixados, sem mover uma ação civil.
Em 30 de julho de 2013, o JSTOR publicou 300 documentos parcialmente ocultados para proteger informações pessoais. O material havia sido enviado à Procuradoria dos Estados Unidos em resposta a intimações no processo United States v. Aaron Swartz.
Prisão e acusações
Na noite de 6 de janeiro de 2011, Aaron foi preso perto do campus de Harvard por policiais do MIT e por um agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos. Foi levado ao tribunal distrital de Cambridge, onde recebeu duas acusações estaduais de entrada ilegal em um imóvel com a intenção de cometer um crime. Em 11 de julho, um grande júri federal o acusou de fraude por meios eletrônicos, fraude informática, obtenção ilegal de informações de um computador protegido e danos a um computador protegido. O comunicado federal de 2011 apresentava uma pena máxima possível de 35 anos de prisão e multa de US$ 1 milhão, caso fosse condenado por todas as acusações.
Em 17 de novembro, um grande júri do Tribunal Superior do Condado de Middlesex apresentou acusações estaduais de entrada ilegal, furto de valor elevado e acesso não autorizado a uma rede de computadores. As duas acusações estaduais iniciais foram retiradas em 16 de dezembro de 2011. As que haviam sido apresentadas em novembro foram retiradas em 8 de março de 2012. Um porta-voz da promotoria explicou que a decisão procurava evitar interferências no processo federal conduzido por Stephen Heymann, com provas fornecidas pelo agente Michael S. Pickett, do Serviço Secreto.
Em 12 de setembro de 2012, os procuradores federais acrescentaram nove acusações, elevando o total para 13. A imprensa apresentou a soma das penas máximas possíveis nessa nova denúncia como 50 anos de prisão e US$ 1 milhão em multas. Nas negociações com a defesa, os procuradores ofereceram recomendar seis meses em uma prisão de segurança mínima se Aaron se declarasse culpado das 13 acusações federais. Ele e seu principal advogado recusaram a proposta e decidiram levar o caso a julgamento.
John Dean, ex-assessor jurídico da Casa Branca no governo de Richard Nixon, criticou a multiplicação das acusações e comparou a atuação dos procuradores às práticas do governo Nixon. A condução do caso pela procuradora Carmen Ortiz também foi contestada por outros juristas e ativistas. Aaron morreu por suicídio em 11 de janeiro de 2013, antes do julgamento. A acusação federal encerrou o processo após sua morte.
Em 4 de dezembro de 2013, o Serviço Secreto divulgou documentos do caso, incluindo um vídeo da entrada de Aaron na sala de equipamentos do MIT. A divulgação resultou de uma ação baseada na lei de acesso à informação, movida pelo editor de investigações da revista Wired.
Vida pessoal
Aaron manteve um relacionamento aberto com a jornalista Quinn Norton entre 2007 e 2011. De 2011 até sua morte, namorou a ativista Taren Stinebrickner-Kauffman, com quem pensava em se casar. Em um texto de 2009, afirmou ter relacionamentos com homens e mulheres e rejeitou a necessidade de enquadrá-los em uma identidade sexual fixa. Publicava com frequência em seu site, no Reddit e no Twitter. Era ateu.
Morte

Na noite de 11 de janeiro de 2013, Taren encontrou Aaron morto em seu apartamento no Brooklyn, em Nova Iorque. O serviço médico-legal da cidade informou que a morte havia ocorrido por enforcamento. Não foi encontrada uma carta de despedida. A família e a companheira criaram um site em sua memória, no qual ressaltaram o uso que ele fazia da programação para ampliar o acesso à informação e combater injustiças.
Antes do funeral, Lawrence Lessig publicou o ensaio "Prosecutor as Bully", no qual criticou a desproporção entre a conduta atribuída a Aaron e as consequências do processo. Para Lawrence, a questão central era explicar por que a acusação insistia em uma declaração de culpa por crime grave, condição que Aaron recusara ao longo de 18 meses de negociações. Cory Doctorow o homenageou por sua capacidade de compreender problemas políticos, escrever programas e trabalhar com outras pessoas. Afirmou que suas ideias ainda poderiam mudar a política dos Estados Unidos e de outros países.
Funeral e homenagens
O funeral ocorreu em 15 de janeiro de 2013, na sinagoga Central Avenue, em Highland Park. Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, fez um discurso em sua homenagem. Aaron foi sepultado no Shalom Memorial Park, em Arlington Heights, Illinois.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Taren afirmou que Aaron não tinha dinheiro para pagar o julgamento e sentia dificuldade em pedir ajuda, pois isso exigiria tornar pública uma parte de sua vida. Disse também que ele estava abalado com as intimações recebidas por dois amigos e havia perdido a esperança de que o MIT tentasse interromper o processo. A família sugeriu que doações em sua memória fossem destinadas à GiveWell, organização com a qual ele colaborara e que havia escolhido como única beneficiária de seu testamento.
Em 19 de janeiro, centenas de pessoas participaram de uma homenagem na Cooper Union, em Nova Iorque. Entre os participantes estavam Taren, o defensor do código aberto Doc Searls, Glenn Otis Brown, da Creative Commons, Quinn Norton, Roy Singham, da Thoughtworks, e David Segal, da Demand Progress. Em 24 de janeiro, a sede do Internet Archive, em São Francisco, recebeu outra cerimônia, com falas de Taren, Alex Stamos, Brewster Kahle, Peter Eckersley e Carl Malamud.
Em 4 de fevereiro, foi realizada uma homenagem no edifício Cannon, no Capitólio dos Estados Unidos, em Washington. Falaram o senador Ron Wyden e os deputados Darrell Issa, Alan Grayson e Jared Polis. Também compareceram a senadora Elizabeth Warren e as deputadas Zoe Lofgren e Jan Schakowsky. O advogado Harvey Silverglate participou de um ato da Demand Progress em memória de Aaron. Em 12 de março, houve uma homenagem no MIT Media Lab.
Em 7 de fevereiro de 2025, uma estátua de Aaron foi apresentada na sede do Internet Archive, em São Francisco, em uma iniciativa organizada por Pablo Peniche e Lisa Rein.
Reações à morte
Departamento de Justiça
A procuradora Carmen Ortiz publicou uma declaração de pesar pela morte de Aaron e afirmou que sua equipe agira corretamente ao apresentar e conduzir o processo.
Família
Em 12 de janeiro de 2013, a família e Taren publicaram uma declaração que responsabilizava as decisões da procuradoria e do MIT pela morte de Aaron. Criticaram o uso da intimidação e o que consideravam excessos do sistema penal. No funeral, Robert Swartz afirmou que o governo havia matado seu filho e que o MIT traíra os próprios princípios.
Tom Dolan, marido de Carmen Ortiz, contestou a declaração da família e criticou a ausência de uma menção à oferta de seis meses de prisão. O comentário provocou novas críticas. Na revista Esquire, o jornalista Charlie Pierce questionou a facilidade com que defensores da procuradoria tratavam seis meses de prisão federal como uma consequência pequena.
MIT
O MIT mantinha uma política de acesso aberto ao campus e à sua rede de computadores. Dois dias depois da morte de Aaron, o reitor L. Rafael Reif encarregou o professor Hal Abelson de examinar as decisões da instituição relacionadas ao processo. Um site foi aberto para que a comunidade sugerisse perguntas e temas para a investigação.
Os advogados de Aaron pediram a divulgação de todos os documentos apresentados na fase anterior ao julgamento, mas o MIT se opôs. A decisão recebeu críticas de apoiadores do ativista. A comissão entregou seu relatório ao reitor em 26 de julho de 2013, e a publicação foi autorizada para o dia 30. O documento concluiu que o MIT não havia apoiado a apresentação das acusações e não apontou uma conduta irregular da instituição. Questionou, porém, a distância entre sua defesa do acesso aberto e a postura adotada no caso. O MIT chegou a discutir uma declaração pública sobre sua posição, mas não a publicou.
Imprensa
A condução do processo por Carmen Ortiz recebeu críticas na imprensa e levou à criação de uma petição que pedia sua demissão. A Reuters ressaltou o trabalho de Aaron para disponibilizar informações ao público, incluindo cerca de 19 milhões de páginas de documentos de tribunais federais. A Associated Press discutiu o tratamento dado a pessoas que obtinham dados de sistemas informáticos para compartilhá-los, sem buscar enriquecimento pessoal. A agência também informou que Mary Jo White, advogada do JSTOR e ex-procuradora federal, havia pedido à acusação o encerramento do caso.
Homenagens publicadas após sua morte usaram expressões como "mártir" e "prodígio" para se referir a Aaron e questionaram a severidade do processo. O artista BAMN, cujo nome significa "By Any Means Necessary", pintou um mural de Aaron no Brooklyn. Ao comentar a obra, defendeu a internet livre e criticou a redução da trajetória do ativista ao trabalho no Reddit.
Em abril de 2013, Yuval Noah Harari o chamou de primeiro mártir do movimento pela liberdade de informação. Para o historiador, sua posição expressava uma convicção de que a informação deveria ser livre, que não se confundia com a defesa da liberdade individual ou da liberdade de expressão. Em Illinois, professores de universidades estaduais adotaram políticas em favor do acesso aberto.
No Brasil, Ronaldo Lemos defendeu, em um artigo de opinião na Folha de S.Paulo, a continuidade das causas pelas quais Aaron trabalhara. A revista Galileu publicou a avaliação de Alex Stamos, especialista que seria testemunha da defesa. Alex reconheceu que baixar muitos arquivos de uma rede compartilhada poderia prejudicar os demais usuários, mas rejeitou que isso justificasse uma pena de décadas de prisão.
Internet
Ataques a sites
Em 13 de janeiro de 2013, integrantes do grupo Anonymous invadiram dois sites do MIT e os substituíram por homenagens a Aaron. Pediam apoio ao acesso aberto e mudanças nas leis de direitos autorais dos Estados Unidos. A página também reproduzia o Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso. Na noite do dia 18, o sistema de correio eletrônico do MIT ficou fora do ar por dez horas.
Em 22 de janeiro, os invasores Aush0k e TibitXimer redirecionaram as mensagens enviadas ao MIT para o Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia. O restante do tráfego foi enviado a um computador de Harvard que exibia uma homenagem a Aaron, com um texto publicado por ele em 2009 e uma versão do hino dos Estados Unidos em chiptune. O MIT recuperou o controle completo depois de cerca de sete horas.
Na madrugada de 26 de janeiro, o Anonymous invadiu o site da Comissão de Sentenças dos Estados Unidos. A página inicial foi substituída pelo vídeo "Anonymous Operation Last Resort", que afirmava que Aaron havia sido colocado diante de uma escolha impossível. Uma semana antes do primeiro aniversário de sua morte, um invasor publicou na internet centenas de milhares de artigos científicos obtidos no site de uma editora suíça, apresentando a ação como uma homenagem a Aaron.
Petições à Casa Branca
Mais de 50 mil pessoas assinaram uma petição à Casa Branca pedindo a demissão de Carmen Ortiz por sua atuação no caso. Outro pedido solicitou a demissão do procurador Stephen Heymann. Em janeiro de 2015, a Casa Branca recusou as duas petições.
Homenagens públicas
Em 3 de agosto de 2013, Aaron foi incluído postumamente no Internet Hall of Fame. No mesmo ano, recebeu o EFF Pioneer Award, da Electronic Frontier Foundation. Seus trabalhos também deram origem a encontros de programação, os hackathons, realizados perto de seu aniversário. Entre 8 e 10 de novembro de 2013, uma segunda edição anual reuniu participantes em pelo menos 16 cidades. Os projetos discutidos envolveram proteção da privacidade, transparência, acesso à informação e mudanças na legislação. Houve também o desenvolvimento de um digitalizador de livros de baixo custo.
Em janeiro de 2014, Lawrence Lessig liderou uma caminhada por Nova Hampshire em memória de Aaron, para defender uma reforma do financiamento das campanhas eleitorais. Em 2017, o artista turco-neerlandês Ahmet Öğüt apresentou a obra "Information Power to the People", que utilizava um busto do ativista.
Legado

Acesso aberto
No Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso, Aaron criticou a concentração de publicações científicas digitalizadas nas mãos de empresas que cobravam pelo acesso. Defendeu que pesquisadores mantivessem seus direitos autorais e publicassem na internet em condições que permitissem a leitura por qualquer pessoa.
Após sua morte, pesquisadores passaram a compartilhar artigos com a hashtag #PDFTribute. Em 12 de janeiro, a economista Eva Vivalt, que trabalhava no Banco Mundial, começou a publicar seus textos na internet como homenagem. Outros pesquisadores também compartilharam endereços de seus trabalhos. A campanha levou o debate sobre o acesso às publicações científicas a leitores que ainda não acompanhavam o assunto.
A Think Computer Foundation e o Center for Information Technology Policy, da Universidade de Princeton, anunciaram bolsas em memória de Aaron. Pesquisadores e instituições também pediram que o acesso fosse ampliado aos dados usados na produção científica. Em 2013, a Associação Americana de Bibliotecas concedeu a Aaron, postumamente, o Prêmio James Madison, por sua defesa da participação pública no governo e do acesso aos artigos científicos.
Em março de 2013, o editor e o conselho editorial do Journal of Library Administration renunciaram em uma disputa com a editora Routledge. Um dos integrantes afirmou que a morte de Aaron o levara a questionar a participação em uma revista que não oferecia acesso aberto. Em um texto publicado em 2002, Aaron havia pedido que o conteúdo de seus discos rígidos fosse tornado público depois de sua morte.
Debate no Congresso dos Estados Unidos
Os deputados Darrell Issa, do Partido Republicano, e Zoe Lofgren e Jared Polis, do Partido Democrata, questionaram a condução do caso. Os três integravam a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Jared chamou as acusações de falsas e exageradas e defendeu limites ao poder de decisão dos procuradores federais. Na homenagem realizada no Capitólio, Darrell afirmou que as leis de direitos autorais deveriam estimular a produção e a circulação de obras, sem ocultar o conhecimento do público.
A senadora Elizabeth Warren homenageou a defesa da liberdade na internet e as propostas de Aaron para a justiça social e a reforma de Wall Street. Em uma carta ao procurador-geral Eric Holder, o senador John Cornyn pediu explicações sobre a atuação de Carmen Ortiz e perguntou se o processo poderia ter sido uma retaliação aos pedidos de acesso à informação apresentados por Aaron.
Investigações parlamentares
Darrell Issa, que presidia a Comissão de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara, anunciou que investigaria a atuação do Departamento de Justiça no processo. A iniciativa recebeu apoio de parlamentares dos dois principais partidos. Em 28 de janeiro de 2013, Darrell e Elijah Cummings, principal representante democrata na comissão, enviaram uma carta a Eric Holder, perguntando por que os procuradores haviam acrescentado novas acusações.
Em 20 de fevereiro, a rádio WBUR informou que Carmen Ortiz deveria depor em uma audiência da comissão sobre o caso. Dois dias depois, Steven Reich, do Departamento de Justiça, reuniu-se com assessores parlamentares envolvidos na investigação. Os assessores foram informados de que o Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso havia pesado nas decisões dos procuradores. Ao deixar a reunião, interpretaram que a acusação considerava necessária uma condenação por crime grave, com ao menos uma breve pena de prisão, para justificar a abertura do processo.
Taren contestou o uso do manifesto de 2008 como expressão das posições de Aaron em 2010. Afirmou que ele já trabalhava com outros temas, como saúde, mudanças climáticas e financiamento da política, e chamou o órgão de "Departamento da Vingança". Em 6 de março, Eric Holder defendeu, perante a Comissão de Justiça do Senado, que o caso havia sido uma aplicação adequada do poder de decisão dos procuradores.
Em resposta, Taren voltou a acusar a promotoria de irregularidades. Afirmou que documentos públicos mostravam que Stephen Heymann havia orientado o Serviço Secreto a apreender provas sem mandado, omitido o fato do juiz e retido por mais de um ano material que poderia favorecer a defesa. Em 22 de março, o senador Al Franken escreveu a Eric Holder que a possibilidade de mais de 35 anos de prisão parecia excessiva, sobretudo porque uma das principais partes afetadas não apoiava a ação penal.
Proposta de reforma da legislação sobre crimes informáticos
Em 2013, Zoe Lofgren apresentou a proposta conhecida como Aaron's Law, nas versões H.R. 2454 e S. 1196. O texto pretendia excluir a violação de termos de serviço do alcance da Computer Fraud and Abuse Act, lei de 1986 sobre fraude e abuso de computadores, e da legislação sobre fraude por meios eletrônicos.
Lawrence Lessig defendeu a mudança por entender que a lei havia permitido ao governo transformar uma quebra de contrato em acusação criminal. O professor Orin Kerr, especialista em direito da informática e direito penal, declarou que defendia uma reforma desse tipo havia anos. A União Americana pelas Liberdades Civis e a EFF também fizeram campanhas pela limitação do alcance da legislação. Lawrence dedicou a Aaron sua aula inaugural como professor da Faculdade de Direito de Harvard, intitulada "Aaron's Laws: Law and Justice in a Digital Age".
A proposta não avançou nas comissões do Congresso. O documentarista Brian Knappenberger atribuiu o bloqueio aos interesses comerciais da Oracle Corporation, que se opunha à mudança.
Proposta de acesso público à pesquisa financiada pelo governo
A Fair Access to Science and Technology Research Act, conhecida pela sigla FASTR, propunha antecipar o acesso público a pesquisas financiadas com recursos dos contribuintes. Foi chamada de outra "Lei de Aaron". Ron Wyden e John Cornyn apresentaram versões no Senado em 2013, 2015 e 2017. Na Câmara, a iniciativa foi apresentada por Zoe Lofgren, Mike Doyle e Kevin Yoder. Ron defendeu que pesquisas pagas com dinheiro público não deveriam ficar inacessíveis por uma cobrança de leitura.
A proposta não foi aprovada, mas o debate foi acompanhado de medidas do governo para ampliar o acesso às pesquisas. Em fevereiro de 2013, o Escritório de Política Científica e Tecnológica determinou que agências federais com mais de US$ 100 milhões anuais em despesas de pesquisa e desenvolvimento preparassem planos para disponibilizar os resultados dos trabalhos financiados pelo governo.
Aaron Swartz Day
Desde 2013, o Aaron Swartz Day promove encontros de programação e palestras perto de 8 de novembro, data de seu aniversário, sobre acesso aberto, política e economia. Entre os convidados estiveram Chelsea Manning, Barrett Brown, Trevor Timm, da Freedom of the Press Foundation, Cory Doctorow, Cindy Cohn, Jason Leopold e Brewster Kahle.
Instituto Aaron Swartz
No Brasil, o Instituto Aaron Swartz foi fundado em 13 de setembro de 2022 como uma organização sem fins lucrativos dedicada aos direitos digitais. Seus temas de trabalho abrangem o acesso ao conhecimento, a privacidade e o software livre. Em 2023, passou a integrar a Internet Society Brasil como membro organizacional.
Cinema e outras obras
Aaron participou dos documentários Aardvark'd: 12 Weeks with Geeks, de 2005, e Steal This Film II, de 2007. Em 2013, Kenneth Goldsmith dedicou a ele a exposição Printing Out the Internet, que convidava pessoas a imprimir páginas da internet.
O Menino da Internet
Em 11 de janeiro de 2014, foi divulgada uma prévia do documentário O Menino da Internet: A História de Aaron Swartz, de Brian Knappenberger. O filme acompanha a trajetória de Aaron e discute o caso JSTOR, a vigilância da Agência de Segurança Nacional e a campanha contra a SOPA. Estreou no Festival Sundance de Cinema daquele ano. O programa Democracy Now! entrevistou o diretor, o pai, o irmão e um dos advogados de Aaron sobre o filme e o processo.
O documentário foi disponibilizado sob uma licença Creative Commons e chegou aos cinemas e aos serviços de vídeo sob demanda em junho de 2014. O Mashable elogiou a homenagem e a argumentação de que Aaron havia sido prejudicado justamente por defender os direitos e as liberdades apresentados no filme. A estreia em Sundance recebeu aplausos de pé. A crítica do The Hollywood Reporter destacou o caráter doloroso da história e recomendou o filme a quem se interessasse pelas leis que regulam a transmissão de informação na internet.
Killswitch
Em outubro de 2014, Killswitch estreou no Woodstock Film Festival, onde recebeu o prêmio de melhor montagem. O documentário apresenta Aaron, Lawrence Lessig, Tim Wu e Edward Snowden, discutindo as disputas pelo controle da internet e pelo acesso à informação. Em fevereiro de 2015, Alan Grayson organizou uma sessão no centro de visitantes do Capitólio, na véspera de uma decisão da Comissão Federal de Comunicações sobre neutralidade da rede. Alan, Lawrence e Craig Aaron, diretor da organização Free Press, falaram sobre a defesa de uma internet aberta.
Alan elogiou a apresentação dos conflitos pelo controle da rede. O crítico Richard von Busack, do Metro Silicon Valley, comparou o uso de imagens de arquivo ao de The Atomic Cafe. Fred Swegles, do Orange County Register, recomendou o filme aos interessados no acesso livre à informação. Kathy Gill, do GeekWire, ressaltou a escolha do diretor Ali Akbarzadeh, do produtor Jeff Horn e do roteirista Chris Dollar de contar a disputa por meio das pessoas envolvidas, especialmente da relação entre Aaron e Lawrence.
Outros filmes
Aaron foi entrevistado para War for the Web cerca de um ano antes de morrer. O projeto não conseguiu o financiamento necessário e foi cancelado, mas parte das imagens foi utilizada em O Menino da Internet. Em 2017, a HBO Films anunciou o desenvolvimento de outro filme biográfico, intitulado Think Aaron.
Trabalhos

Padrões e linguagens
Aaron colaborou com John Gruber no desenvolvimento de Markdown, linguagem de marcação simples que permite escrever textos e convertê-los em HTML. Também escreveu o programa html2text, que faz a conversão de HTML para texto. A sintaxe de Markdown recebeu elementos da linguagem atx, criada por Aaron em 2002, especialmente a forma de indicar títulos com o sinal #. Markdown é utilizado na formatação de textos do Reddit, do GitHub e do Discord. Também é usado em arquivos de memória do assistente Claude Code.
Em 2001, Aaron entrou no grupo RDFCore do World Wide Web Consortium, dedicado ao Resource Description Framework. Escreveu o RFC 3870, publicado em 2004, que registra o tipo de mídia application/rdf+xml para documentos RDF/XML, usados na web semântica.
Software
Entre 2011 e 2012, Aaron trabalhou com Kevin Poulsen e James Dolan no DeadDrop, sistema que permite a fontes enviar documentos eletrônicos a jornalistas de forma anônima. Em maio de 2013, a revista The New Yorker lançou a primeira instalação pública do programa, com o nome Strongbox. A Freedom of the Press Foundation assumiu seu desenvolvimento, e o programa passou a se chamar SecureDrop.
Em 2008, Aaron e Virgil Griffith desenvolveram o Tor2web, um intermediário HTTP que permite acessar serviços da rede Tor por um navegador comum. O projeto passou a ser desenvolvido no âmbito do GlobaLeaks, com participação de Giovanni Pellerano.
Open Library
Aaron trabalhou na criação da Open Library, projeto do Internet Archive que reúne informações bibliográficas em um catálogo colaborativo. Foi um de seus principais desenvolvedores e apresentou o projeto em 2007. A plataforma utilizou dados bibliográficos da Biblioteca do Congresso, entre outras coleções. Um dos conjuntos de dados disponibilizados no Internet Archive foi doado pelo projeto Scriblio, da Universidade Estadual de Plymouth.
Publicações
- Aaron Swartz, James Hendler. The Semantic Web: A network of content for the digital city. Proceedings of the Second Annual Digital Cities Workshop. Blogspace. Quioto, Japão. outubro de 2001.
- Aaron Swartz. MusicBrainz: A Semantic Web service. IEEE Intelligent Systems. janeiro de 2002. v. 17. n. 1. pp. 76–77. doi:10.1109/5254.988466. ISSN 1541-1672. Bibcode 2002IISys..17a..76S.
- John Gruber, Aaron Swartz. Markdown definition. Daring Fireball. março de 2004. Cópia arquivada em 2 de abril de 2004.
- Aaron Swartz. Guerilla Open Access Manifesto. julho de 2008.
- Aaron Swartz. Building Programmable Web Sites. Rensselaer Polytechnic Institute. 2009. (em inglês)
- Aaron Swartz. We can change the world. Formato: Vídeo. Cópia arquivada em 21 de dezembro de 2021.
- Aaron Swartz. Keynote address at Freedom To Connect 2012: How we stopped SOPA. Washington. 21 de maio de 2012. Formato: Vídeo. Cópia arquivada em 21 de dezembro de 2021.
- Aaron Swartz. Aaron Swartz's A Programmable Web: An Unfinished Work. Synthesis Lectures on the Semantic Web: Theory and Technology. Morgan & Claypool Publishers. fevereiro de 2013. v. 3. n. 2. pp. 1–64. acesso aberto PDF. Publicação original: 2009. doi:10.2200/S00481ED1V01Y201302WBE005.
- Aaron Swartz. Raw Thought, Raw Nerve: Inside the Mind of Aaron Swartz. Discovery Publisher. Nova Iorque. 2014. acesso aberto PDF/ePub. Edição de Adriano Lucchese.
- Aaron Swartz. The Boy Who Could Change the World: The Writings of Aaron Swartz. The New Press. janeiro de 2016. Open Library OL25886237M. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2022. Consultado em 7 de abril de 2020.
Leitura adicional
- Walter Couto, Sueli Mara Soares Pinto Ferreira. Caminhos legais e ilegais para o Acesso Aberto: uma exploração de controvérsias. Transinformação. 2019. v. 31. p. e190012. doi:10.1590/2318-0889201931e190012.
- Eliane Brum. A menina quebrada. Arquipélago Editorial. 2013. ISBN 978-85-60171-45-3.
- Ronaldo Lemos. Opinião: Aaron Swartz se foi, mas suas causas permanecem vivas. Folha de S.Paulo. 21 de janeiro de 2013.
- Bruna Arimathea. Aaron Swartz, fundador do Reddit, morreu há 10 anos, mas seu alerta sobre a internet segue urgente. O Estado de S. Paulo. Terra. 15 de janeiro de 2023.
- Magaly Pazello. A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores. poliTICs. Instituto Nupef. fevereiro de 2013. n. 14. pp. 32–40. Formato: PDF.
- Janelle Nanos. Losing Aaron. Boston. janeiro de 2014. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2017. (em inglês)
- Justin Peters. The Idealist: Aaron Swartz and the Rise of Free Culture on the Internet. Scribner. 2016. Apresentação do autor, em 11 de junho de 2016. ISBN 978-1-4767-6772-7. (em inglês)
- Kevin Poulsen. MIT Moves to Intervene in Release of Aaron Swartz's Secret Service File. Wired. 18 de julho de 2013. (em inglês)
- Brian Knappenberger. The Internet's Own Boy: The Story of Aaron Swartz. Participant Media. 2014. Formato: Documentário, 105 minutos. (em inglês)
- Ali Akbarzadeh. Killswitch: The Battle to Control the Internet. Akorn Entertainment. 2014. Formato: Documentário. (em inglês)
